Esse Blog nasceu como da discipina Mídia e Poder do programa de pós graduação e mestrado da Faculdade Cásper Líbero. Agora, além das abordagens desse tema, também é um espaço colaborativo e interativo em pesquisas sobre Comunicação Jornalística, Tecnologia, Cultura de Rede, Mídias Sociais e interatividade na TV Digital e IPTV.
Dividido em um Congresso e uma Feira, o SET EXPO é o maior evento de tecnologia e negócios de mídia e entretenimento da América Latina na América Latina e um dos maiores do mundo. Este ano, só para o congresso são esperados 2 mil visitantes, e outros 15 mil visitantes na feira, provenientes de 38 países, que devem passar pelo Pavilhão Vermelho e de Convenções do Expo Center Norte para conferir as novidades das 150 empresas expositoras, que representam mais 400 marcas nacionais e internacionais. O evento acontece de 26 a 29 de agosto.
Sobre a SET Fundada em 1988, a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) é uma associação sem fins lucrativos constituída por empresas, profissionais e acadêmicos cujo principal objetivo é desenvolver o conhecimento técnico e científico em toda a cadeia de meios audiovisuais, desde a criação até a entrega. Ela representa o maior fórum para a discussão de padrões e tendências para os mercados de criação de conteúdo, gestão, produção e distribuição no Brasil.
Carlos Fini, presidente da SET, durante a abertura do SET Expo 2019 Ontem, terça-feira (27) foi iniciada oficialmente a Feira de Tecnologia e Negócios de Mídia e Entretenimento, com cerimônia de abertura realizada a partir das 09h00. Nomes de empresas de tecnologia e comunicação como YouTube (Google), Amazon e NHK estavam entre os entrevistados da cerimônia de abertura da feira do SET Expo 2019. O congresso, que assim como a feira é realizado no Expo Center Norte (zona norte da capital paulista), foi iniciado nesta segunda-feira (26).
Lívia de Souza Vieira Doutoranda no POSJOR/UFSC e pesquisadora do objETHOS
Na última quarta-feira, 8 de fevereiro, estive na news:rewired, conferência de jornalismo digital promovida em Londres pelos organizadores do site independente Journalism.co.uk. Pela programação já dá pra ver que foi um grande evento, no qual palestraram influentes repórteres e profissionais da comunicação de várias partes do mundo.
Diversos assuntos estiveram em pauta durante o dia: melhores práticas para enfrentar as notícias falsas (fake news), engajamento em vídeos ao vivo nas redes sociais, automatização nas redações, jornalismo de dados em dispositivos móveis, princípios de games para reportagens, storytelling colaborativo e iniciativas inéditas nas redações, os chamados projetos especiais. Inovação foi a palavra-chave que permeou todas as palestras.
A equipe do Journalism.co.uk fez uma excelente cobertura do evento, com live blogging e entrevistas (confira aqui, em inglês). Outra forma de se inteirar sobre o que aconteceu é seguir a hashtag #newsrw no Twitter. Lá, há muitos comentários, fotos e insights dos participantes, também em inglês.
Aqui, vou me ater a pontuar o que mais me chamou atenção, sem a preocupação de cobrir todos os assuntos tratados.
– Engajamento e ética em vídeos ao vivo nas redes sociais
De acordo com Alfred Joyner, diretor de vídeo da IBT Media, 66% das visualizações nos vídeos ao vivo do Facebook acontecem depois que eles terminam. Daí a importância de reempacotar o conteúdo, dando novos significados a ele. Além dessa dica, Alfred enfatizou que é preciso treinar os apresentadores (todos os palestrantes bateram na tecla de que o Facebook Live não é TV, por isso não precisa ter aquele formato mais engessado) e obter os equipamentos adequados, para garantir a qualidade das transmissões.
Ainda sobre streaming, Sue Llewellyn, ex-BBC e fundadora da Ultra Social, pontuou cuidados importantes, ao que ela chamou de “The ‘S.P.E.C.T.R.E’ of Livestreaming”: Segurança, Privacidade e Permissões, Ética, Copyright, Confiança e Trolls, Risco de Reputação e Traumas Emocionais. “Ética é uma preocupação constante. Poder transmitir algo ao vivo não significa que você deve fazê-lo”, afirmou.
– Redações cibernéticas: Reuters automatiza 400 matérias por dia e BBC usa robôs para traduzir vídeos em outras línguas
Na Reuters, 400 matérias estão sendo feitas por robôs em um dia, além de 950 alertas enviados de forma automatizada, afirmou Reg Chua, diretor executivo de Dados e Inovação. Para ele, velocidade, abrangência na cobertura (mais línguas, mais audiência), custo e eficiência são as principais razões para automatizar o jornalismo. Reg pontuou que máquinas podem fazer correlações, mas não causalidades e entendimento de contextos. Por isso, o foco nos insights, já que os robôs são capazes de identificar anomalias, que devem ser interpretadas pelos jornalistas. “Estamos construindo uma redação cibernética, em que humanos ajudam máquinas e máquinas ajudam humanos no que ambos fazem de melhor”, enfatizou.
Susanne Weber, da BBC News Labs, apresentou a ALTO, ferramenta que traduz conteúdo de vídeo em vários idiomas de forma automatizada, e utiliza a sintetização de texto para voz. O que mais me impressionou na ferramenta foi sua facilidade de uso (veja na imagem acima): o jornalista clica em ‘traduzir’, escolhe a voz que deseja e adiciona ao vídeo. No entanto, Susanne afirmou que ainda há a necessidade do trabalho humano para corrigir as traduções, que nem sempre são precisas.
Ao final deste painel, um participante do evento fez um questionamento ético: “Vocês querem que as pessoas pensem que as matérias e vídeos automatizados foram feitos por humanos?”. Ambos responderam que não e justamente por isso deixam claro que aquele conteúdo foi escrito por um robô.
– Mais scroll, visualizações personalizadas para cada dispositivo e menos interatividade no jornalismo de dados para mobile
“Em visualização de dados para mobile, menos é mais”, resumiu Collen McEnaney, editora gráfica do The Wall Street Journal. Ela também ressaltou a importância de pensar verticalmente (“as pessoas podem dar scroll pra sempre”) e produzir ilustrações claras, com informações fáceis de encontrar.
Martin Stabe, diretor de Notícias Interativas do The Financial Times, afirmou que a produção de uma única matéria requer diferentes tipos de gráficos. “Mesmos dados, diferentes visualizações para cada dispositivo”, disse (veja exemplo na imagem acima). Segundo Martin, isso leva a uma mudança no fluxo de trabalho, pois a equipe pensa em visualizações distintas para o impresso, desktop, iPad e smartphones.
Outro ponto interessante neste painel foi o entendimento de que a interatividade desnecessária deve ser evitada. “Interatividade é um atributo de design tanto quanto a cor. Tome a decisão caso a caso. Essa matéria realmente precisa ser interativa? Não há valor intrínseco no ‘Oh, eu posso clicar nisso!’”, afirmou Martin Stabe. Por fim, a recomendação: reduza o número de cliques e encoraje o scroll, como neste exemplo do Washington Post.
– Storytelling colaborativo: quando a comunidade reporta
A fala de Paul Myles, da Our Radar, foi inspiradora e mostrou como tecnologia e comunidade podem se aliar para fazer um jornalismo de qualidade. O que ele chamou de storytelling colaborativo tem por objetivo envolver comunidades para contar suas próprias histórias. “É o encontro do jornalismo tradicional com o jornalismo cidadão”, afirmou.
Myles levou dois exemplos muito relevantes e sensíveis: o Back in Touch, que conta histórias de moradores de Serra Leoa depois da crise do Ebola; e o Dementia Diaries, que traz relatos do cotidiano de pessoas com demência. No primeiro projeto, a comunidade de Serra Leoa recebeu celulares com câmeras e reportou suas próprias condições durante dois anos. No segundo, foram entregues gravadores impressos em 3D, muito fáceis de usar (veja imagem acima), para que as pessoas pudessem gravar os áudios com os relatos de maneira simples.
Conectividade, capacidade e confiança são três barreiras para a produção de projetos colaborativos com comunidades, enfatizou Paul Myles. Ele ainda chamou atenção para o fato de que a falta de recursos financeiros está fazendo com que os jornalistas parem de se conectar com as pessoas. “É hora de a mídia repensar a maneira com a qual se engaja com a comunidade”, salientou.
– Projetos especiais misturam inovação e interesses comerciais
Foi consenso entre os palestrantes deste painel: “projetos especiais” são aqueles que trazem pessoas de diferentes equipes e expertises para trabalharem juntas. No The Guardian, Quartz e The Financial Times, eles já possuem status de editoria.
Além do caráter experimental e inovador, os jornalistas dos três veículos chamaram atenção para a importância da parceria comercial, visto que o custo para produção desses projetos especiais normalmente é bastante alto. Nesse sentido, Francesca Panetta, editora do The Guardian, disse que o bom relacionamento entre as equipes editorial, comercial e de marketing é essencial para as iniciativas darem certo. “Colocar todos juntos desde o início ajuda a diminuir as tensões entre as diferentes equipes”, afirmou. Um dos exemplos apresentados ratifica isso: o já famoso “6×9: a virtual experience of solitary confinement”, projeto em realidade virtual do The Guardian, tem o Google entre os patrocinadores.
Como se vê, foi um dia intenso, com discussões muito interessantes. No fim, saí com a certeza de que as melhores redações do mundo, tradicionais ou independentes, estão se dispondo a pensar em como inovar no jornalismo, num equilíbrio desafiador entre equipes, tempo, dinheiro e qualidade.
Está na praça o livro "Comunicação, Tecnologia e Inovação: estudos interdisciplinares de um campo em expansão. O livro é fruto de evento realizado na UFMA pelo grupo de pesquisa Comtec , liderado por Sebastião Squirra. Tenho um capítulo no livro sobre Tecnologia, Comunicação e Ciência Cognitiva. Sinopse As novas tecnologias de informação têm trazido questões inéditas ao campo da Comunicação – a internet, a participação nos ambientes online, as redes sociais, o jornalismo em base de dados, a comunicação organizacional no ciberespaço. Para enfrentar tais desafios, os pesquisadores da Comunicação, quase obrigatoriamente, têm de se voltar para os estudos interdisciplinares, dialogando com outros campos e metodologias a fim de buscar soluções para os seus problemas; e ainda, fazer isso preservando suas próprias fronteiras, mesmo quando se encontram em expansão. O presente livro tem o objetivo de refletir, ainda que de forma parcial, alguns resultados desse esforço, por meio do trabalho de autores que, em suas pesquisas, têm enfrentado as novas questões, buscando perspectivas e olhares angulados pela percepção das grandes transformações em andamento na contemporaneidade. A teoria das redes e dos jogos, a ciência cognitiva, as tecnologias de transmissão de dados, a televisão digital, as plataformas interativas e, obviamente, os vários desdobramentos da internet sobre a vida das pessoas e das organizações são alguns dos temas abordados na publicação.
TV e Internet lutam por espaço nos EUA. Brasil antecipa a mesma batalha. Isto é bom?
A batalha por espectro nos Estados Unidos é batalha que nos espera?
Artigo do editor chefe do magazine estadunidense Variety, Tom Johnson,de 26 de março último, reflete o plano do governo dos EUA de leiloar mais um bloco de frequências do espectro de radiodifusão com o objetivo de expandir os serviços de telefonia sem fio.
Tal ação tem colocado aTV Broadcasting ( radiodifusão) contra a Big Telecom TV (indústria do audiovisual por Internet ) nas sessões do FCC (Federal Communications Commission) e nos corredores do Congresso dos Estados Unidos.
Alguns dizem que o país está enfrentando uma crise de grandes proporções devido à fabulosa proliferação de dispositivos móveis, enquanto outros insistem que tais temores são exagerados. O caos abriu a porta para que haja uma supervalorização dos ativos referentes às emissoras de TV cujos proprietários, de repente, se encontram sentado sobre uma possessão valiosa
O artigo traz a baila a grande "farra de negócios" na afirmação do editor daVariety, especificamente dirigida a faixa dos canais 47 a 52 em UHF realizada, por exemplo, como aconteceu com a KTLN, canal 47, que transmitia programação religiosa a partir de San Rafael, Califórnia, e que foi vendido por US $ 8 milhões em 2011.
O curioso é que faixas até então não mencionadas pela UIT (União Internacional de Comunicações) como recomendação para o uso da banda larga móvel começam a ser negociadas como a WMFP, canal 18 de Boston (as letras eram usadas em seu slogan: Nos somos a mídia para o povo) e que foi vendida no final de 2010, juntamente com outro canal de TV em UHF de San Francisco por supostos US $ 20 milhões.
As transações têm uma coisa em comum, segundo Johnson: "As estações estão sendo compradas pelas carteiras de 'private equity' de empresas de investimento que acreditam ter projetos rentáveis de negociação não exatamente sobre seus ativos, estúdios, contratos, programação, mas relativos as frequências que ocupam no espectro radioelétrico".
"Eles são especuladores do espectro", denuncia Tom Johnson: "que se dirigem com a uma fome desmedida sobre a fatia de frequências de bandas alocados pelo governo federal nos EUA a empresas de radiodifusão, concessões estas com garantia de proteção evitando a interferência de sinal vindo de outras plataformas em relação aos serviços de TV e de rádio abertos e gratuitos, bem como, serviços de comunicações de emergência".
Grave, muito grave!.
O incremento destas vendas se explica com as declarações de membros do governo Obama em favor de embarcar em um plano ambicioso de aumentar a oferta de banda larga no país, que, entretanto, não foi criado para incluir, também, as emissoras de TV que ao negociar o seu espectro em leilão poderiam manter parte do negócio e participar, como sócias, das receitas provenientes da venda de suas concessões para as empresas de telecomunicações que explorem serviços sem fio;
Estas estações de TV, discute-se no Congresso em Washington, também tem a opção de compartilhar espectro com as transmissões digitais (multiprogramação) ou mover-se para outras bandas de frequência
O Congresso dos EUA cancelou a votação da proposta de realinhamento do espectro radioelétrico no ano passado. A verdadeira tentação da administração federal é o potencial de um leilão que poderia levantar até US$ 20 bilhões, com tais proventos sendo usados para pagar por uma nova rede de segurança pública sem fio e, também, para a redução do déficit econômico do país.
"Claro que essa é uma maneira politicamente branda de para aumentar a receita do governo federal sem aumentar impostos", acrescenta o editor da Variety
O impulso para os estes leilões vem, em parte, do temor de que os EUA estão à beira de estourar o limite de suas capacidades de banda larga - ou o horror apocalíptico que um dia os smartphonese iPads vão ter suas telas escuras, sem sinal.
Novamente há quem diga que existe exagero nesta profecia. O que se desejaria, pelas empresas de telecomunicações é garantir espaço no espectro radioelétrico, que todos sabem ser finito e limitado.
A complexidade em se encontrar soluções parece ter apenas adicionado mais um elemento indigesto nesta luta de Washington para influenciar a forma do plano de venda de espectro e sua reengenharia.
Numa análise realizada, temos de um lado as empresas que exploram os serviços de telefonia sem fio ansiosas para ver uma transferência rápida de espectro e por outro lado as emissoras de TV que se mobilizam ferozmente diante do que entendem seja uma última oportunidade para agarrar-se às suas concessões, visando a beneficiar suas plataformas de comunicação e seus fornecedores de conteúdo audiovisual, a partir do plano projetado pelo governo federal estadunidense.
O plano poderia criar novos modelos de negócio e provocar a integração de esforços dos dois setores, radiodifusão e telecomunicações com relação à programação destes canais de TV dirigidos a diversos mercados e várias plataformas digitais. Mas não há cultura estabelecida para tanto.
O momento marca, como já estão preconizando os espertos, uma mudança simbólica do poder de formação da opinião pública da comunicação de massa (um para todos) para o um-para-umdigital.
Será este o cenário para o Brasil, amanhã? Sabemos, na verdade o que estamos perdendo ou ganhando com tais tendencias mundiais? Teremos condições ou interesse de divulgação massiva para que estas decisões se tornem públicas o suficiente para interessar a Nação?
Para onde estamos indo? Você sabe? Você se preocupa?