quarta-feira, 11 de maio de 2011

Projeto 2014K - A copa de 2014 ao vivo em 3D

Diólia Graziano 
cientista social aplicada

Fiquei encantada com a proposta do Projeto 2014K - A copa de 2014 ao vivo em 3D. Contudo vale ressaltar que ele possui uma infraestrutura particular, do projeto, não sendo comercialmente possível. O Brasil não tem infraestrutura que suporte o transito de tantos dados. Se o fluxo de vídeo na rede de Internet é o que ocupa mais espaço no espectro, mesmo sendo qualidade Youtube, imaginem sendo em altíssima definição e em 3D. Travaria a rede!


O PNBL-Plano Nacional de Banda Larga, até onde sabemos, contempla uma Internet com velocidade nominal de 512Kbps. Para baixar e assistir a um vídeo de 20 Mega com esta velocidade de conexão são necessários 10 minutos. Na maioria da Finlândia - onde as pessoas possuem conexão de 40 Mega - o mesmo vídeo é baixado em 4 segundos.


Banda Larga, de acordo com o presidente do Comitê Gestor da Internet é "modo de dizer". Embora fiquemos conectados à rede o mesmo tempo que os norteamericanos, dados da ComScore indicam que 84% da população com mais de 15 anos que assistiu a pelo menos um vídeo no mês na Internet, equivale ao mesmo número nos Estados Unidos. Contudo, quando se analisa o número de vídeos assistidos, os resultados se tornam diferentes. Nos Estados Unidos foram assistidos 34 bilhões de vídeos enquanto no Brasil, 2.9 bilhões; na Alemanha, 8.3. Tal dado mostra que existe espaço para crescimento e também o baixo nível da Internet brasileira, recaindo novamente no problema da falta de boa infraestrutura.Então comemorar o fato do brasileiro "navegar" muito na Internet, é uma faca de dois gumes: fica muito tempo na Internet também por que ela é lenta.


Deliciem-se com o vídeo abaixo, encantem-se como eu. Tenham orgulho de nossos pesquisadores, tendo em mente que para termos essa experiência em casa, ainda é um árduo processo de reconhecimento da importância crescente da Internet em nossas vidas e que valeria a pena repensar o PNBL como prioridade nacional, com intenso investimento em infraestrutura para prover uma Banda de Internet que seja Larga de fato, para que não se torne obsoleta e incipiente rapidamente. Isto é: ela já nasce conceitualmente carente. Da forma como está concebida, tal Internet permitirá acesso nacional ao Orkut, MSN (exemplos de sites populares), mas não permitirá a apropriação de conteúdos audiovisuais, sua remixagem, criação artística, e manifestação da expressão sociocultural brasileira na rede.


Uma vez que tratamentos médicos (hoje já é possível realizar exame oftalmológico com o uso de um aparelho celular!), educação via videoconferência e outros tantos recursos disponíveis de forma exponencial - melhorando a qualidade de vida da sociedade em todos os seus aspectos - reduzindo a necessidade de locomoção, alterando as relações de trabalho, criando novas oportunidades de renda, etc - planejar de forma lenta o fornecimento de uma conexão de 512Kbps, me parece pífio. Nem Finlândia nem Banda Larga "modo de dizer": precisamos fornecer à nossa população um meio termo, decente.






















segunda-feira, 11 de abril de 2011

A POSSIBILIDADE DE UM NOVO UNIVERSO JORNALÍSTICO NA COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA- UMA ANÁLISE DO PORTAL ÍNDIOS ONLINE

Monografia apresentada à Faculdade .Cásper Líbero para aprovação no Curso de Pós Graduação em Comunicação Jornalística sob a orientação do Prof. Claudio N. Coelho (06/2010)


Resumo


Será abordado neste estudo um canal que propõe utilizar a internet como veículo de comunicação e informação para os povos indígenas. Trata-se do portal Índios Online, uma rede com vinte e três etnias em onze estados do Brasil que iniciou suas atividades em 2005. A principal questão a ser debatida pelo trabalho é se este portal pode ser considerado uma forma de comunicação alternativa à grande mídia monopolista. Temos, portanto, como objetivo analisar quais as ferramentas utilizadas pelos índios na promoção de diálogo intercultural através do Canal Índios Online. Há uma preocupação em investigar como se dá a possibilidade de uma comunicação interativa. Optou-se para a pesquisa de natureza bibliográfica e documental. O referencial teórico é composto por autores que pensam a comunicação dentro da globalização, e que refletem sobre as possibilidades abertas pela comunicação virtual em rede, como Milton Santos, Ignácio Ramonet e Pierre Lévy. Considerou-se fundamental a utilização destas abordagens, pois envolve o objetivo de estudo como parte de um cenário atual que impõe a busca de entendimento.

Palavras-chave: Globalização. Cibercultura. Jornalismo. Internet.


Introdução



A ampliação das mídias, a possibilidade de interação e participação através da internet corresponde um elemento obrigatório nos dias atuais. A diversidade, mistura de cultura ao mesmo tempo em que destaca as diferenças étnicas e culturais de cada povo, provoca a falta de homogeneidade. Nesse caso o avanço da globalização poderia reduzir essa problemática e realizar um intercâmbio entre os grupos.


O fato é que com isso a grande mídia passa a criar a cultura do desnecessário, o consumismo excessivo que traz consigo a troca do ser pelo ter, ou seja, o consumo como forma de autovalorização existencial. O fetiche da mercadoria passa a ser muito mais intenso e as relações sócio-afetivas bem mais superficiais, desse modo, está instalado o quadro de caos social, que mistura desemprego, desassistência social, consumismo acentuado, alienação e crimes.


Será abordado neste estudo um canal que propõe utilizar a internet como veículo de comunicação e informação para os povos indígenas. Trata-se do portal Índios Online, uma rede com vinte e três etnias em onze estados do Brasil que iniciou suas atividades em 2005. A troca de comunicação é favorecida entre sete nações indígenas: kiriri, Tupinambá, Pataxó-hãhãhãe, Tumbalalá na Bahia, Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó em Alagoas e os Pankararu em Pernambuco.


Por um lado essa monografia visa valorizar a entrada do povo indígena na internet. A voz é dada. Porém essa interação pode influenciar a perda da cultura e identidade do índio. De fato o processo de globalização não pode ser evitado, já está inserido no contexto sócio-econômico-cultural onde a informação é a protagonista dessa história.


Temos, portanto, como objetivo analisar quais as ferramentas utilizadas pelos índios na promoção de diálogo intercultural através do Canal Índios Online. Com isso indaga-se: Até que ponto o processo da globalização pode influenciar na promoção de um novo universo jornalístico na comunicação alternativa?


A internet é um meio midiático que favorece as novas formas de sociabilidade e participação social. Passou a ser um instrumento de distribuição de informações e preocupações, o que antes não tinha espaço para ser exposto.


Se o objetivo seria reduzir as diferenças, ampliar o conhecimento, encurtar distâncias, estes fatores não poderiam vir juntos a influência de uma cultura global que impõem limites para a autonomia da pessoa vinculada a sua cultura de origem, dificultando a existência de relações necessárias para o exercício da solidariedade social e da liberdade.


Embora o espírito capitalista de homogeneização sociocultural tenha predominado, não conseguiu eliminar as diferenças, e a utopia igualitária não burlou seu objetivo final, que na verdade, significava uma imposição cultural. (CITTADINO, 2000).


É importante entender qual a verdadeira intenção dessa ampliação e abertura de espaço para as informações. Unificar culturas? Certamente, mas a cultura principal seria centralizada, induzindo, portanto, aos demais o deslocamento de território e a cultura excessiva de consumo.


O trabalho tem como objetivo proporcionar uma reflexão sobre a possibilidade de um novo universo jornalístico na comunicação alternativa. Busca-se estudar uma inovação midiática através do projeto Índios Online.


Optou-se para a pesquisa de natureza bibliográfica e documental. Considerou-se fundamental a utilização destas abordagens, pois envolve o objetivo de estudo como parte de um cenário atual que impõe a busca de entendimento.


Para a analise do portal índios online foi realizada inicialmente um conhecimento das páginas do portal, sua interface e componentes. Em seguida tentou-se estabelecer contato com os índios através do chat do portal. Como foi relatado no decorrer deste trabalho houve recuo por parte dos índios e fuga nas respostas.


Para um maior aprofundamento procurou-se por artigos e trabalhos externos realizados pelos índios que fazem parte do projeto. Na tentativa e conseguir maiores informações houve outras buscas de diálogos no chat e Google Talk. Encontrou-se dificuldades também em estabelecer contato via Skype com alguns dos gestores do site


Por fim emails foram enviados aos gestores do portal e alguns foram respondidos que mesmo vagamente foram e grande importância para a construção desse trabalho e entendimento do que o portal índios online se propõe.


A base desta monografia foi composta por vários autores que merecem aqui ser citados: Manuel Castells com suas obras “A sociedade em rede” e “A galáxia internet” que trouxe reflexões sobre a internet e sua influência na sociedade; Pierre Lévy com cibercultura; Ignácio Ramonet em “A tirania da comunicação” constituindo um dos principais componentes desse estudo ao abordar de forma critica e realista o jornalismo dos tempos atuais e os conglomerados midiáticos; Por fim Milton Santos, este que correspondeu a toda estrutura deste trabalho, que sem sua participação certamente esta produção não seria completa


Sumário


Introdução 7

1. Mídia, globalização e comunicação 9

1.1 O papel da mídia no fenômeno da globalização 9

1.2 Os conglomerados midiáticos 11

2 O Jornalismo globalizado e suas novas possibilidades 16

2.1 Ética e jornalismo 16

2.2 Cultura midiática e o jornalismo espetacular 18

2.3 A crise no jornalismo 20

2.4 As possibilidades de um novo jornalismo através da internet 23

2.5 E a internet como surgiu? 25

3. O Projeto Índios Online 29

3.1 O Portal 29

3.2 Índios online, quem são? 43

3.2.1 As ferramentas utilizadas pelos índios na promoção de diálogo intercultural através do Canal Índios Online 44

3.3 Os índios no ciberespaço – Um meio alternativo de comunicação 46

Considerações finais 49

Referências bibliográficas 52

Anexos 55



sábado, 19 de março de 2011

Processos Midiáticos: Tecnologia e Mercado: Evolution of the Internet Governance

Evolution of the Internet Governance




Diólia Graziano

Conheça o blog da nova Gradiente.

 Por Alex Primo
Foi com muita alegria que recebi o convite para participar como colaborador do blog da Nova Gradiente. Pois essa que foi uma das marcas de tecnologia mais importantes no país está voltando ao mercado.
Eu tenho muitas lembranças boas ligadas à Gradiente. A melhor delas é tema de meu primeiro post naquele blog. Lá eu revelo que já fui DJ e pilotava um invejado toca discos Gradiente D-20. E, como não poderia ser diferente, não me contive e escrevi também uma crítica à atual cultura de DJs e como as subcelebridades transitam por aí.
O Blog da Gradiente não vai tratar apenas de seus novos produtos. Como você vai perceber, trata-se de um blog de tecnologia e cultura geek. Não deixe de assinar o RSS e conhecer todos os colaboradores, autores de outros blogs relevantes na blogosfera brasileira.
Agora, uma publicação imperdível é a Videoteca Histórica publicada pela Gradiente em seu perfil no Facebook. A partir de uma boa pesquisa, foi construída uma linha do tempo multimídia com os fatos mais importantes de 1989 a 2006 e comerciais dos lançamentos tecnológicos de cada ano.
Além de fatos curiosos, da galeria de imagens que vai dar nostalgia em muitos geeks, é possível também observar como a linguagem publicitária foi se transformando nas últimas décadas.

domingo, 2 de janeiro de 2011

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Facasper - 4ª Conferência Brasileira de Comunicação e Tecnologias Digitais.

O Grupo de Pesquisa Tecnologia, Comunicação e Cultura de Rede (Teccred) da Faculdade Cásper Líbero, em parceria com o Grupo de Pesquisa em Tecnologias Digitais (Comtec/Metodista), promoverá a 4ª Conferência Brasileira de Comunicação e Tecnologias Digitais, cujo tema será “Eleições 2010: Comunicação, tecnologia e mídia social”. O evento acontecerá na Faculdade Cásper Líbero, no dia 30 de novembro, das 9h às 17h.
Clique aqui e confira a programação completa.

Para se inscrever envie seu nome e telefone para eventos @casperlibero.edu.br , e aguarde o e-mail confirmando sua participação

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

As startups de Balzac e o fim da era “cada um no seu quadrado”

TECNOLOGIA E COMUNICAÇÃO

No papel, todas as palavras bem articuladas fazem sentido. Tecnologia e Comunicação formam um binômio quase imbatível nessa máxima quando colocadas lado a lado em um texto. Chamam a atenção.
Entretanto, dentro de uma empresa, no seu cotidiano de desafios, esses assuntos são tratados e trabalhados como se fossem água e óleo, ou seja, elementos que não se misturam.
São culturas que pensam que são diferentes. Uma oriunda das ciências ditas “ mais duras” e outra das Ciências Sociais Aplicadas. Entretanto, o físico e novelista inglês, Charles Percy Snow, em 1959 no seu livro seminal “The Two Cultures”, demonstrou que essa divisão é prejudicial à construção do conhecimento e não existem razões estruturantes para existir.
Se verificarmos o desenvolvimento das Tecnologias de Informação, indo até as suas raízes, encontraremos nomes como do alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz (1646 – 1716), considerado o “o pai da TI”. Filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário, Leibniz tinha habilidades nas áreas da metafísica, literatura, política, lógica, história entre outras.
Balzac, o hacker journalist


Com relação mais estreita com a comunicação, a brilhante trajetória literária e intelectual do pensador francês Honoré de Balzac (1799-1850), possui um lado que poucos conhecem.
Autor do célebre livro “Ilusões Perdidas”, que especialistas sobre o autor afirmam ser autobiográfico, Balzac narra a história do poeta Lucien de Rubempré, que faz carreira como jornalista em Paris, obtendo rápido sucesso e, também com velocidade, cai em desgraça devido ao jogo da imprensa da época.


Porém, o que pouco se diz é que Balzac era proprietário de uma editora e nela também exercia o ofício de tipógrafo. Ou seja, se fosse nos dias atuais, talvez Balzac teria uma start-up e seria um hacker journalist, devido ao seu entendimento e cruzamento técnico sobre as duas áreas do conhecimento humano.
Mas, quando pensamos na dificuldade de encontrar profissionais que cruzem essas áreas com competência e sabedoria, John Brockman lança 1995 o livro “The third culture”. Nele, Brockman sobe nos ombros de C.P. Snow e coloca mais uma camada da multidisplinariedade: as ciências biológicas. Hoje, vemos estudos e pesquisas na área da neurociência computacional, máquinas semióticas, web semântica etc.

Laboratório de mídia


Em algumas conversas com editores da mídia digital brasileira, enfatizo a necessidade de essas empresas investirem em laboratórios que integrem esses tipos de conhecimento e que dali possam surgir soluções inteligentes em sintonia com a necessidade informativa da sociedade conectada, que, de um modo ou de outro, já experimenta os resultados desses avanços desde Leibniz.
Mas a resposta é quase a mesma: falta de cultura dos empresários para entenderem que um laboratório desses é importante para possuir e construir o diferencial competitivo.
Vejamos o New York Times, que investe tanto em tecnologia nos seus produtos digitais conectados. O temor da “Bíblia do Jornalismo” não são os seus tradicionais concorrentes no mundo analógico que também migraram para a esfera digital, mas os milhares exemplos de startups que surgem nos EUA e que vão comendo fatias pequeninas do seu escopo de negócio.
Para fazer frente a esse tipo de ameaça, o NY Times formou equipes multidisciplinares que lhe garantem a permanência no jogo da nova economia digital.
Com uma estratégia mais agressiva, pois já nasceu nesse universo, o Google busca dentro das universidades esse tipo de perfil multidisciplinar. Como brinco, de um dia para ou outro, pesquisadores são “abduzidos” e começam a trabalhar na grande nave-mãe dos sistemas de relevância da informação.


Áreas relacionadas


Portanto, os “labels” Tecnologia e Comunicação são mais que quadradinhos de conhecimento. Eles fazem parte da realidade de forma estruturalmente relacionada.
Vistos assim e trabalhados sinergicamente dentro das empresas, elas conseguirão obter melhores resultados nos sistemas estruturados por TI e que necessitam de plataformas e conteúdo adequados ao seu público consumidor ou colaboradores.

IDGNOW

Waltet T. Lima
Pós-doutor Tecnologia e Comunicação. Docente do Programa de Pós-graduação da Cásper Líbero. Membro titular do Núcleo de Ciência Cognitiva da USP. Um dos pioneiros em conteúdo jornalístico na Web brasileira.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ginga na TVD Brasil

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Porque os projetos de mídias sociais falham?

Mesmo focada apenas na Europa – precisamente em 12 países – uma pesquisa realizada pelo instituto alemão Brand Science pode prover alguns insights importantes.


Nos últimos 7 meses, eles acompanharam diversos projetos de mídias sociais voltados para o mercado Europeu, em busca de entender porque a maioria deles parece não atender as expectativas. Nem da agência, muito menos do cliente.
O estudo está resumido na apresentação abaixo. Mas os pontos principais são:


- 81% das empresas pesquisadas não possui uma estratégia clara de mídia sociais
- 73% dos projetos de mídias sociais precisaram demonstrar retorno financeiro depois de apenas 12 meses
- 72% acreditam que mídia social precisa ser viral
- 68% desconhecem a regra 90-9-1 na internet, que diz: 90% da pessoas são apenas consumidoras de conteúdo (não contribuem), 9% edita ou modifica conteúdo e apenas 1% cria conteúdo.
- 84% medem a performance de um projeto de mídias sociais com métricas tradicionais
- 37% acham que mídia social significa compra de mídia
- E apenas 11% possui um guideline de social media
Um ponto especial fala que 53% das empresas caem na armadilha-geek, mostrando o “Second Life” como exemplo. Você deve se lembrar dessa época.

Brainstorm9

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Questões importantes sobre Interatividade na TV Digital.

Risco de monopólio do Ginga

Publicado por Valdecir Becker  iTV - Interactive TV

O professor Luiz Fernando, da PUC-Rio, vem a tempos mostrando sua preocupação em relação ao andamento das implementações de Ginga no mercado brasileiro. A mais recente foi a entrevista para o IDG NOW, onde ele manifesta a preocupação com a falta de competividade e a possível imposição de um padrão de interatividade não aderente à norma brasileira.

Há três anos tinha pelo menos quatro empresas desenvolvendo o Ginga-NCL. Hoje temos apenas uma empresa oferendo o Ginga completo, com NCL e Java. A partir do momento que não existe concorrência, a norma elaborada pelo Fórum e ABNT perde o significado. Em vez do mercado se adequar a norma, para que todas as aplicações executem de maneira idêntica em todos os receptores, as aplicações precisam se adequar à implementação.
Como resultado, duas consequências imediatas. Primeira: fazer aplicações não é um processo simples. O que era para ser um mercado amplo, com ferramentas públicas e gratuitas, ficou restrito a pouquíssimas empresas. Não há ferramenta aberta ou gratuita que permita desenvolver e testar aplicações comerciais para o Ginga-J. Mesmo aplicações em NCL, testadas pela PUC-Rio e avalizadas como estando em conformidade com a norma, não são executadas nas versões Ginga Full do mercado.
Segunda consequência: as aplicações que estão no ar foram desenvolvidas para uma plataforma específica, o que significa que não executam nas outras. Se hoje o telespectador quiser ver todas as interatividade no ar, precisa de pelo menos dois receptores diferentes.
Nos últimos meses conversei com engenheiros de várias empresas que me garantiram que a versão do Ginga da LG, primeira que entrou no mercado, não segue a norma do ISDB-T em vários aspectos. Isso faz com que aplicações simples, feitas em NCL, não sejam executadas adequadamente.
A única forma de resolver isso é com uma suíte de testes, que homologue as implementações. Mas essa está distante. O Fórum do SBTVD ainda está criando um grupo de trabalho para cuidar do tema. Os resultados desse grupo de trabalho devem aparecer em alguns meses.
Outra opção seria comprar uma suíte já desenvolvida, ou transformar a homolagação em serviço. Pelo menos duas empresas manifestaram interesse em oferecer este serviço. O problema, neste caso, é o conflito de interesses, pois uma delas estaria homologando e testando a sua própria implementação.

Resumindo: problemas a vista.


TV conectada substitui interatividade na Europa

Todas as residências conectadas com banda larga, redes IPTV oferecendo 120 canais por 20 Euros mensais, conteúdo baixado da internet com a mesma experiência e qualidade da TV em broadcast. O que parece distante aos nossos olhos é realidade em vários países europeus, como a Finlândia, que sediou, em junho, a décima edição do EuroITV, principal evento de TV digital, interatividade e vídeo on line do mundo.
Esse acesso amplo à internet mudou costumes, hábitos e exigências do público, com reflexos diretos no mercado de televisão. A TV analógica faz parte do passado, assim como a interatividade, que, para muitos, foi uma experiência desastrosa. O EuroITV mostrou que a TV aberta e unidirecional pode estar com os dias contados, perdendo espaço para conteúdos personalizados e majoritariamente sob demanda. Pelo menos em países com ampla penetração da banda larga.
As pesquisas em televisão na Europa estão voltadas para a TV on line, também chamada de TV conectada e broadband TV. O foco é a TV social, com recursos de comunicação interpessoal incorporados aos receptores. A interatividade através de software embarcado no receptor (caso do Ginga no Brasil), é tratada como modelo ultrapassado e, com exceção da Inglaterra, como um modelo sem sucesso.
Confira o artigo na íntegra na última edição da Revista Produção Profissional, nas páginas 84 a 90.


Exemplo de mensagem de erro após o carregamento da aplicação de interatividade.