quinta-feira, 4 de julho de 2013

sexta-feira, 24 de maio de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

TV e Internet lutam por espaço nos EUA. Brasil antecipa a mesma batalha. Isto é bom?


SÁBADO, 30 DE MARÇO DE 2013

TV e Internet lutam por espaço nos EUA. Brasil antecipa a mesma batalha. Isto é bom?


A batalha por espectro nos Estados Unidos é batalha que nos espera?

Artigo do editor chefe do magazine estadunidense Variety, Tom Johnson, de 26 de março último, reflete o plano do governo dos EUA de leiloar mais um bloco de frequências do espectro de radiodifusão com o objetivo de expandir os serviços de telefonia sem fio. 

Tal ação tem colocado a TV Broadcasting ( radiodifusão) contra a Big Telecom TV (indústria do audiovisual por Internet ) nas sessões do FCC (Federal Communications Commission) e nos corredores do Congresso dos Estados Unidos. 

Alguns dizem que o país está enfrentando uma crise de grandes proporções devido à fabulosa proliferação de dispositivos móveis, enquanto outros insistem que tais temores são exagerados. O caos abriu a porta para que haja uma supervalorização dos ativos referentes às emissoras de TV cujos proprietários, de repente, se encontram sentado sobre uma possessão valiosa

O artigo traz a baila a grande "farra de negócios" na afirmação do editor daVariety, especificamente dirigida a faixa dos canais 47 a 52 em UHF realizada, por exemplo, como aconteceu com a KTLN, canal 47, que transmitia programação religiosa a partir de San Rafael, Califórnia, e que foi vendido por US $ 8 milhões em 2011. 


O curioso é que faixas até então não mencionadas pela UIT (União Internacional de Comunicações) como recomendação para o uso da banda larga móvel começam a ser negociadas como a WMFP, canal 18 de Boston (as letras eram usadas em seu slogan: Nos somos a mídia para o povo) e que foi vendida no final de 2010, juntamente com outro canal de TV em  UHF de San Francisco  por supostos US $ 20 milhões.

As transações têm uma coisa em comum, segundo Johnson:  "As estações estão sendo compradas pelas carteiras de 'private equity' de empresas de investimento que acreditam ter projetos rentáveis de negociação não exatamente sobre seus ativos, estúdios, contratos, programação, mas relativos as frequências que ocupam no espectro radioelétrico". 

"Eles são especuladores do espectro", denuncia Tom Johnson: "que se dirigem com a uma fome desmedida sobre a fatia de frequências de bandas alocados pelo governo federal nos EUA a empresas de radiodifusão, concessões estas com garantia de proteção evitando a interferência de sinal vindo de outras plataformas em relação aos serviços de TV e de rádio abertos e gratuitos, bem como, serviços de comunicações de emergência". 

Grave, muito grave!.

O incremento destas vendas se explica com as declarações de membros do governo Obama em favor de embarcar em um plano ambicioso de aumentar a oferta de banda larga no país, que, entretanto,  não foi criado para incluir, também, as emissoras de TV que ao negociar o seu espectro em leilão poderiam  manter parte do negócio e participar, como sócias, das receitas provenientes da venda de suas concessões para as empresas de telecomunicações que explorem serviços sem fio; 

Estas estações de TV, discute-se no Congresso em Washington, também tem a opção de compartilhar espectro com as transmissões digitais (multiprogramação) ou mover-se para outras bandas de frequência   

O Congresso  dos EUA cancelou a votação da proposta de realinhamento do espectro radioelétrico no ano passado. A verdadeira tentação da administração federal é o potencial de um leilão que poderia levantar até US$ 20 bilhões, com  tais proventos sendo usados ​​para pagar por uma nova rede de segurança pública sem fio e, também,  para a redução do déficit econômico do país. 

"Claro que essa é uma maneira politicamente branda de para aumentar a receita do governo federal sem aumentar impostos", acrescenta o editor da Variety

O impulso para os estes leilões vem, em parte, do temor de que os EUA estão à beira de estourar o limite de suas capacidades de banda larga - ou o horror apocalíptico que um dia os smartphonese iPads vão ter suas telas escuras, sem sinal. 

Novamente há quem diga que existe exagero nesta profecia. O que se desejaria, pelas empresas de telecomunicações é garantir espaço no espectro radioelétrico, que todos sabem ser finito e limitado.  

A complexidade em se encontrar soluções parece ter apenas adicionado mais um elemento indigesto nesta  luta de Washington para influenciar a forma do plano de venda de espectro e sua reengenharia. 

Numa análise realizada, temos de um lado as empresas que exploram os serviços de telefonia sem fio ansiosas para ver uma transferência rápida de espectro e por outro lado as emissoras de TV que se mobilizam ferozmente diante do que entendem seja uma última oportunidade para agarrar-se às suas concessões, visando a beneficiar suas plataformas de comunicação e seus fornecedores de conteúdo audiovisual, a partir do plano projetado pelo governo federal estadunidense.

O plano poderia criar novos modelos de negócio e provocar a integração de esforços dos dois setores, radiodifusão e telecomunicações com relação à programação destes canais de TV dirigidos a diversos mercados e várias plataformas digitais. Mas não há cultura estabelecida para tanto.  

O momento marca, como já estão preconizando os espertos, uma mudança simbólica do poder de formação da opinião pública da comunicação de massa (um para todos) para o um-para-umdigital.

Será este o cenário para o Brasil, amanhã? Sabemos, na verdade o que estamos perdendo ou ganhando com tais tendencias mundiais? Teremos condições ou interesse de divulgação massiva para que estas decisões se tornem públicas o suficiente para interessar a Nação?

Para onde estamos indo?  Você sabe? Você se preocupa?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Vejam Só..:Samsung Galaxy Note 10,1.



Vejam Só...queria um Desses:Samsung Galaxy Note 10,1...Esse Tablet acaba de chegar ao mercado. Veja nesse vídeo as principais funcionalidades e a capacidade de interação entre múltiplas tarefas. Excepcional designer tanto na beleza como no aspecto funcional.Como estudar, editar fotos/vídeos. USO DA CANETA inteligente que, automaticamente, ele assim que vc escreve  busca informações na rede sobre aquilo que você está escrevendo/anotando agilizando todas as tarefas multimídias. Multitelas, teclados variados flutuante. Ele grava o passo a passo do que você desenhou ...e dá um play demonstrativo. Animações 3D interativas. Photoshop touch. Lista de vídeos ao vivo simultâneo em uma da tela. Smart remote...compatível com quealquer aparelho smart TV

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Jornalismo digital: audiovisual, convergência e colaboração

O livro "Jornalismo digital: audiovisual, convergência e
colaboração" (Edunisc, 2011), organizado por Walter Teixeira Lima
Junior e Demétrio De Azeredo Soster, acaba de chegar da editora e já
se encontra disponível para venda
.

Área: Ciências Humanas

Subarea: Jornalismo
Ano: 2011
Páginas: 232
Formato: 14x21cm Brochura
ISBN: 978-85-7578-314-6
Código:
Preço: R$ 35,00



Sinopse


"A publicação é resultado da V Mesa Coordenada da Rede JorTec, que visou interligar os campos do conhecimento científico que envolvem Jornalismo e as Tecnologias DigitaisConectadas durante o 8º Encontro Nacional dos Pesquisadores de Jornalismo (8º SBPJor), em São Luis, no Maranhão.Sistemas computacionais, redes telemáticas, ensino, teorias e formatos de conteúdo foram os temas contidos nas discussões que delineiam novas tendências, rediscutem teorias e práticas no ensino no que tange à evolução dos conteúdos informativos de relevância social, contidos nas multiplataformas digitais conectadas viaWeb.Nos assuntos pesquisados pelos autores neste se encontra a questão da relevância informativa por meio de sistemas de recomendação que estão alterando a percepção do usuário da Web; processo de produção jornalístico do ponto de vista das teorias do jornalismo; formatos de narrativas fotojornalísticas do New York Time.com; mensuração do grau da incorporação de questões tecnológicas nas grades de graduação em Jornalismo e o ensino de jornalismo-laboratório em uma perspectiva convergente.Aos textos dos integrantes da mesa, juntam-se outros, pro duzidos por pesquisadores igualmente ligados à Rede JorTec, que fornece à publicação e aos leitores a densidade necessária para entender os impactos tecnológicos nos processos, produtos jornalísticos e seus efeitos na formação de um novo ecossistema midiático.""A publicação é resultado da V Mesa Coordenada da Rede JorTec, que visou interligar os campos do conhecimento científico que envolvem Jornalismo e as Tecnologias Digitais Conectadas durante o 8º Encontro Nacional dos Pesquisadores de Jornalismo (8º SBPJor), em São Luis, no Maranhão.


Sistemas computacionais, redes telemáticas, ensino, teorias e formatos de conteúdo foram os temas contidos nas discussões que delineiam novas tendências, rediscutem teorias e práticas no ensino no que tange à evolução dos conteúdos informativos de relevância social, contidos nas multiplataformas digitais conectadas viaWeb.

Nos assuntos pesquisados pelos autores neste se encontra a questão da relevância informativa por meio de sistemas de recomendação que estão alterando a percepção do usuário da Web; processo de produção jornalístico do ponto de vista das teorias do jornalismo; formatos de narrativas fotojornalísticas do New York Time.com; mensuração do grau da incorporação de questões tecnológicas nas grades de graduação em Jornalismo e o ensino de jornalismo-laboratório em uma perspectiva convergente.

Aos textos dos integrantes da mesa, juntam-se outros, pro duzidos por pesquisadores igualmente ligados à Rede JorTec, que fornece à publicação e aos leitores a densidade necessária para entender os impactos tecnológicos nos processos, produtos jornalísticos e seus efeitos na formação de um novo ecossistema midiático."


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede: Encontro com os autores do e-book: 15/10/2011

http://livroteccred.blogspot.com/
Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede: Encontro com os autores do e-book: 15/10/2011: Agora que você já conhece o e-book do TECCRED, que tal aproveitar a manhã de sábado, 15 de outubro, para um bate-papo com alguns dos autores...
O evento contará com três mesas temáticas e terá o formato de desconferência, um fórum para troca de idéias, networking, conversação e interação entre os participantes. Segue o "servição" completo:


Data: 15 de outubro de 2011 (Sábado)

Horário: 9h às 12h
Local: Sala Aloysio Biondi- 5º andar - Faculdade Cásper Líbero - Avenida Paulista, 900.
Público: Alunos da Faculdade Cásper Líbero e público externo (90 vagas)

Programação:
9h - Abertura
Prof. Dr. Walter Teixeira Lima Junior - Líder do Teccred e Organizador do livro
9h05 às 10h - Mesa I - Jornalismo: colaboração e narrativa visual
Rafael Sbarai Santos Alves - Minha Notícia, iReport e OhmyNews: modelos de cooperação ou colaboração no Jornalismo Digital?
Luísa Gonçalves Brito - O internauta produtor de notícia nas mídias sociais: a participação do público como um diferencial do jornalismo feito na internet

10h às 11h - Mesa II - Regulação e desafios tecnológicos
Diólia de Carvalho Graziano - Os desafios da implantação da IPTV no Brasil
Marcos Ryo Hashimoto - EXPERIMENTAL RE:COLETIVO: Por uma outra divisão do trabalho na produção do filme publicitário

11h às 12h - Mesa III - Humanos e sistemas computacionais: uma relação tecnológica
Walter Teixeira Lima Junior - Mídias digitais “inteligentes” em um novo patamar da comunicação homem-máquina
Rafael Vergili - A relação homem-máquina e a cooperação nas redes
Lidia Zuin - Wired Protocol 7: um estudo sobre Serial Experiments Lain e a alucinação consensual do ciberespaço

Inscrições:
. Alunos: Para se inscrever envie um e-mail para eventos@casperlibero.edu.br com seu nome, R.A., telefone, indique seu curso e aguarde a confirmação de inscrição.
. Ex-alunos: Para se inscrever envie um e-mail para eventos@casperlibero.edu.br com seu nome, R.A., telefone. Feito isto, aguarde a confirmação de inscrição.
. Público Externo (20 vagas): Para se inscrever envie um e-mail para eventos@casperlibero.edu.br com seu nome, RG, telefone, e a instituição que representa. Feito isto, aguarde a confirmação de inscrição.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uma Questão de Opinião!!!

Globalização, Neoliberalismo e Cultura de massa e a "nova" tecnologia dos "de baixo"

Os defensores da globalização sempre são precisos em afirmar que ela tem o poder de libertar-nos do isolamento, livrar-nos da exclusão a que nos submete o protecionismo, tornando possível a livre interação entre pessoas e idéias diferentes e promovendo o respeito e o conhecimento entre as diferentes culturas. Uma “aldeia global” que proporciona maior prosperidade e bem-estar aos que nela engajam-se e torna-os, efetivamente, participantes do mundo.
Fica evidente nos textos de Ramonet e Milton Santos a precariedade desse conceito de globalização. O que eles já alertavam em suas críticas ao sistema dominante de globalização com fundo ideológico de mercado, consumo e o uso da comunicação de massa para os interesses das nações ricas ou soberanas, em detrimento aos anseios e clamores das classes sociais menos favorecidas, ganhou mais força após o “chamado colápso do globalização neoliberal”, especificamente a explosão da crise financeira, em 2008. Uma boa definição do que vem a ser o neoliberalismo com sua força no mercado financeiro mundial é do sociólogo Otavio Lanni, “ O neoliberalismo é a ideologia e a prática das forças sociais predominantes na globalização do capitalismo em curso no sentido de que as corporações, e as estruturas mundiais de poder que expressam principalmente os interesses das corporações, se impõem aos povos e às nações, em todo o mundo. Neoliberalismo, no sentido de um novo discurso sobre as maravilhas do mercado mundial compreendendo competitividade, produtividade, qualidade total e lucratividade,a despeito do agravamento das desigualdades sociais e da globalização da questão social. O neoliberalismo é o discurso da globalização pelo alto." (O. Lanni “Globalização e Neoliberalismo”)

Uma crise que “derreteu” bilhares de dólares, aprofundou as desigualdades sociais , aumentou o desemprego, necessitou da intervenção dos bancos centrais e, consequentemente, diminuiu ainda mais os investimentos na área social de todos os países. . O que vemos é de um lado, especuladores e banqueiros alimentam-se da desordem mundial da globalização financeira. Do outro, trabalhadores em todo o planeta que arcam com custos dessa "economia de cassino".

As corporações midiáticas, apesar de acompanhar e noticiar esse desastre econômico mundial poderiam ter tido uma participação mais incisiva, promovendo debates e informações na reorganização e surgimento de novas alternativas de enfrentamento dessa situação. A farra das elites também não foi devidamente questionada. O comportamento da mídia na recente crise financeira internacional foi debatida na abertura do Fórum Mundial de Mídia Livre, no início de 2009, no Rio de Janeiro. Uma das conclusões dos participante foi que a chamada grande mídia não ofereceu explicações satisfatórias diante da crise, muito embora, durante anos, seus "especialistas" tenham se redobrado em esforços para legitimar o modelo neoliberal de globalização.

Para Ignacio Ramonet, presente no encontro, “ a recente crise financeira internacional destroçou o que ainda restava do neoliberalismo e arrastou consigo boa parte da credibilidade e do poder dos grupos midiáticos, particularmente da imprensa escrita, em função da estreita aliança entre mídia e poder econômico. O tratamento dado pela mídia à crise não teria sido mais do que o reflexo de seu próprio desespero, pois toda crise capitalista tende a se refletir como uma crise nos meios de comunicação.” .

No mesmo encontro, o jornalista Pascual Serrano, do site Rebelión, afirmou que “a mídia é um dos responsáveis pela recente crise internacional porque faz parte da estrutura financeira do modo de produção capitalista. A sociedade civil organizada sempre defendeu meios de controle sobre a economia, mas teria sido solenemente ignorada pela mídia tradicional, que estranhamente não ofereceu explicações satisfatórias diante da crise, muito embora seus “especialistas” tenham estado sempre de prontidão quando o caso era legitimar a economia capitalista. A estratégia escolhida pela mídia diante da crise, afirmou Serrano, foi a de “vitimização”, como se não existisse responsável algum pela bancarrota capitalista, mas somente vítimas”.
Nesse aspecto, concordo com Ramonet e Milton Santos, quanto a necessidade de se horizontalizar e democratizar a informação. Apesar de ainda incipiente, acredito na utilização das novas plataformas de comunicação para levar a sociedade a um novo paradígma de conhecimento e interação de suas dificuldades e anseios. As chamadas “novas mídias”, com o uso computador, do telefone celular, da troca de imagens, vídeos e textos, especialmente na comunicação em rede, (internet). Lembrando o texto de Ramonet: “´É possível nos dar conta de que os meios (evidentemente os pequenos) que fornecem informação séria , não ideológica, dados, fatos concretos, com referências, estes meios, “ por mais diferentes que sejam estão conquistando cada vez mais audiência. Não é novidade mais que com o telefone podemos usufruir e realizar as funções do computador. Se comunicar com alguém pelo computador (um bom exemplo é o Skype). Ou mesmo com um celular interagir, assistir a tv e até produzir fotos e vídeos para uma emissora e muitas outras possibilidades. É o universo da Internet”

Já há muitos exemplos de comunidades de pequenas cidades que produzem conteúdo sobre suas origens, cultura e dificuldades e disponibilizam esse material na internet ou em TVs públicas. No livro “ TV Digital e Produção Interativa: a comunidade manda notícias” (Fernando Crocomo, editora da UFSC, 2007-pag. 141) o autor apresenta um modelo para produção e envio de vídeos para permitir que o telespectador ou sua comunidade ( representada por uma escola, e/ou associação de bairro) possa participar da programação de uma emissora de TV, recebendo a programação normal e retornando informações, inclusive conteúdo em vídeo que também fica disponível na internet. O modelo faz uma associação entre o uso de equipamentos evoluídos tecnologicamente e a busca da produção de conteúdos de interesse da comunidade.

Exatamente como Milton Santos prevê em seu texto. As manifestações dos que vem “de baixo” podem se expandir ainda mais, num primeiro momento virtualmente e depois fisicamente e movimentos sociais.

No entanto, a internet, como alerta o Professor e Doutor em Ciências da Comunicação, Eugênio Bucci, na apresentação do livro “ Ciberespaço, Aluta pelo Conhecimento” (Sérgio A. da Silveira/ Dimas A. Künsh- Editora Salesiana-2008) “(...) se presidida unicamente pelos interesses corporativos e pelas atuais hierarquias rígidas, típicas dos Estados autoritários ou do modelo atual de comunicação de massa, pode virar um ambiente para o monitoramento das comunicações e enfraquecimento do indivíduo. Torna- se mais um instrumento a serviço de tiranias econômicas ou políticas e menos uma inovação capaz de emancipar as pessoas(...) quando o espírito de cooperação prevalece sobre a voracidade do dinheiro, quando os princípios dos direitos fundamentais sobrepujam os impulsos de controlar a vontade de opiniões alheias, aí sim, a Internet alcança a dimensão de um espaço verdadeiramente público, um canteiro fértil para a ampliação da liberdade”.

Uma novo caminho para uma globalização mais justa e humana deve sempre levar em conta as diretrizes da verdadeira democracia representativa dos cidadãos, com um verdadeiro engajamento político nas tomadas de decisões do que realmente importa para todas as classes sociais no planeta.

A democracia e o neoliberalismo definitivamente entraram em conflito.A jornalista e pesquisadora canadense, Naomi Klein, em entrevista à revista Cult em junho de 2008, contesta a alegação central da máquina da propaganda neoliberal, que procura identificar pessoas livres com o que se chama de mercado livre. Como Milton Santos, Naomi Klein também acredita nos movimentos populares, com destaque aos que vêem do campo e ou das periferias das grandes cidades como representações legítimas da insatisfação com os modelos de globalização que vivemos.

Para mim, as causas ambientais são uma das grandes forças motoras atuais para uma reorganização social planetária e tende a crescer na medida em que as pessoas, e a juventude futura, se organizarem em movimentos. O que unificará mais as sociedades é o futuro do próprio lugar onde vivemos. Pode parecer ingênua minha constatação, mas como qualquer ser vivo, o ser humano mais do que nunca precisará se guiar pelo instinto da sobrevivência.



Luiz Galvão

Por uma Outra Globalização - Milton Santos (análise)


Um dos pontos dos vários pontos em comum entre o texto de Ignacio Ramonet e o de Milton Santos, destaco, na sociedade globalizada, a circulação da informação gerida e manipulada pela mídia como parte dos grandes Conglomerados. Para Santos, ela é a criadora dos mitos e dos símbolos da base da globalização. Tudo funciona de acordo com as regras do Mercado. “Os grandes conglomerados não satisfeitos em controlar os demais ramos da economia, dominam também a comunicação, reforçando a ideologia de mercado e suas conseqüências”. A propaganda trabalha com para eliminar a esperança de mudança e, cada vez mais, induz ao consumismo.


“Há uma relação carnal entre o mundo da produção da notícia e o mundo da produção das coisas e das normas. A publicidade tem, hoje, uma penetração muito grande em todas as atividades, como na profissão médica, ou na educação. Hoje, propaga-se tudo, e a política é, em grande parte, subordinada às suas regras.”(Santos.p 40). As mídias nacionais se globalizam, não apenas pela “chatice e mesmice das fotografias e dos títulos, mas pelos protagonistas mais presentes.Falsificam –se os eventos, já que não é propriamente o fato o que a mídia nos dá, mas uma interpretação”. Com essa análise do autor é possível fazer um paralelo com a teoria do discurso infantilizante que Ramonet propõe.


Na mesma página 40, Santos associa a informação como fábulas quase que da mesma forma como Ramonet. “O fato de que a comunicação se tornou possível à escala do planeta, deixando saber o que se passa em qualquer lugar, permitiu que fosse cunhada a expressão, quando, na verdade, ao contrário do que se dá nas verdadeiras aldeias, ( ele se refere à idéia de Aldeia Global) é frequentemente mais fácil comunicar com quem está longe do que com o vizinho. Quando essa comunicação se faz, na realidade, ela se dá com a intermediação de objetos. A informação sobre o que acontece não vem da interação entre pessoas, mas do que é veiculado pela mídia, uma interpretação interessada, senão interesseira, dos fatos. “ Para ramonet, a grande mídia conta fábulas e só um novo caminho de interação com as novas plataformas tecnológicas de comunicação e democráticas entre comunidades e pessoas poderia reverter esse quadro.


Papel dos pobres na produção do presente e do futuro


Milton Santos acredita que a luta e mudança para um novo tempo,para uma nova globalização, está nas bases das ações dos movimentos comunitários e populares como em nova forma e meios de se fazer comunicação. Na realização de obras que servem ao outro, a alguém. Esclarece que é preciso distinguir, atualmente, papel dos pobres do presente entre o futuro de pobreza e miséria. “ A miséria acaba por ser a privação total, com o aniquilamento, ou quase, da pessoa. A pobreza é uma situação de carência, mas também de luta, um estado vivo, de vida ativa, em que a tomada de consciência é possível.”(página 132) Isso significa para Santos, que miseráveis são os que se confessam derrotados. Mas os pobres não se entregam. E dessa forma há combustível para a luta, para a mudança e descobrir a cada dia formas inéditas de trabalho. O enfrentamento e busca de remédios para as dificuldades. O sentimento de urgência como mais uma força motivadora do conhecimento. Com isso, o autor fala da socialidade urbana como um palco onde os atores, ao invés de serem protagonista em estratégias de sobrevivência ou de tragédias, na verdade se constituem a própria vida concreta da maioria das populações. “A cidade, pronta a enfrentar seu tempo a partir do seu espaço, cria e recria uma cultura com a cara do seu tempo e do seu espaço e de acordo ou em oposição aos “donos do tempo”, que são também os donos do espaço.”(p.132)


Num novo relacionamento e convivência com a necessidade e com o outro, Santos acredita que se elabora uma política, que chama a política dos de baixo , constituída a partis das suas visões do mundo e dos lugares. “Trata-se de uma política de novo tipo, que nada tem a ver com a política institucional. Esta última se funda na ideologia do crescimento, da globalização, etc. e é conduzida pelo cálculo dos partidos e das empresas. A política dos pobres é baseada no cotidiano vivido por todos, pobres e não pobres, e é alimentada pela simplkes necessidade de continuar existindo”. Nos lugares, uma e outra se encontram e confundem, daí a presença simultânea de comportamentos contraditórios, alimentados pela ideologia do consumo. Este ao serviço das forças socioeconômicas hegemônicas, também se entranha na vida dos pobres, suscitando neles expectativas e desejos que não podem contar.”(p.133). A desilusão das demandas não satisfeitas, o vizinho que prospera e o cotidiano contraditório pode motivar o despertar. E se houver uma brecha no sistema do mundo, do país e do lugar, a semente da inconformidade já estará plantada e “o passo seguinte é o seu florescimento em atitudes e, talvez , rebeldia.”


Novamente, como Ramonet, Santos define a questão da dificuldade de discursos. Neste caso mais específico, o dos movimento das massas que “nem sempre resultam de discursos claros e bem articulados, nem sempre se dão por meio de organizações conseqüentes e estruturadas.”


O autor difere as organizações e os movimentos estruturados do que é o próprio cotidiano, flexível de relações, adaptável às novas circunstâncias, sempre em movimento. Apesar de não descartar as organizações e movimentos como instrumento de agregação e multiplicação de forças a conquista dos resultados não daria conta de se cristalizar, nem encorajar a repetição de estratégicas e táticas. “ Os movimentos organizados devem imitar o cotidiano das pessoas, cuja flexibilidade e adaptabilidade lhes asseguram um autêntico pragmatismo existencial e constituem a sua riqueza e fonte principal de veracidade”. Santos acredita que a mudança provirá de um movimento de baixo para cima, tendo com atores fundamentais os principais países subdesenvolvidos e não os países ricos. Mas com a participação dos deserdados, dos pobres do indivíduo livre das ideologias neoliberais existentes. A demanda que vem dos de baixo é explosiva.
A escassez chega às classes médias.
Luiz Galvão (2009)