quinta-feira, 28 de julho de 2011

Análise do texto: "O Poder Midiático". Ignácio Ramonet

O Poder Midiático

O jornalista, sociólogo e diretor do periódico francês, Le Monde Diplomatic, Ignacio Ramonet, destaca logo no início do texto “ O Poder Midiático” ( in Denis de Moraes,(org);243) a extrema dificuldade, na atual conjectura da globalização neoliberal e, como consequência da chegada da Revolução Digital, de se estabelecer distinções nítidas entre o mundo da mídia, o mundo da comunicação, o mundo que poderíamos denominar cultura de massas e o mundo da pubicidade.

( A mistura entre jornalismo, a publicidade/propaganda e a cultura de massa)

O autor defende o estreitamento da distância entre esses setores comentando ao mesmo tempo, a distinção que existia antes, com certa autonomia nas esferas da comunicação, da informação e da cultura de massas. Argumenta que “ cada dia existem menos fronteiras entre esses setores e que há alguns anos atrás , no universo da comunicação em geral, podíamos distinguir essas três esferas autônomas e praticamente independentes.”

Ramonet explica a ‘mistura’ entre essas esferas em três etapas e da seguinte forma: A esfera do que chamamos de informação (imprensa, informação radiofônica, agências de notícias, noticiários de televisão, cadeias de informação contínua. Esta como um universo, o do jornalista, que é um mundo à parte ou uma esfera à parte.

Uma outra esfera ele denomina de comunicação institucional, como a publicidade, a propaganda no sentido político da palavra.Um universo que, segundo ele, se desenvolveu enormemente. Para fundamentar essa argumentação, lembra e enfatiza que, mais do que nunca na atualidade, governos e as empresas comunicam, possuem jornais, rádios, têm porta-vozes midiáticos, têm estruturas de imprensa . Com isso, Ramonet pretende deixar claro que se torna cada vez mais difícil e complexo para o cidadão não identificar estes elementos como parte formadora do mundo da comunicação. A Publicidade é parte desse universo, do mundo da comunicação, como ostentação, aparato ideológico do sistema. È utilizada também como forma de propaganda política.
E, como terceira esfera, aquilo que conhecemos e chamamos em geral de cultura de massa, num sentido abrangente, como a “telenovela, os quadrinhos, a edição literária de massa, os livros de massa, o cinema de massa, o esporte, etc”.

(o fim da autonomia: o papel da revolução digital-mescla de texto/som/imagem)

Ao definir a comunicação nessas esferas, Ramonet tenta desvincular a idéia de que, nas palavras dele, “poderíamos, há dez anos, falar dos meios de comunicação como um universo fechado, com sua própria lógica, com sua própria dinâmica, autônomo em relação ao resto do universo da comunicação”. Para fundamentar essa posição, o autor afirma que hoje não é mais possível falar dos meios de comunicação como um universo fechado ou autônomo por causa da revolução digital. Hoje temos a possibilidade da mescla do texto, do som e da imagem. “Antes havia um universo do texto, um universo do som, um universo da imagem.” Atualmente podemos ter tudo isso em um só aparelho.

(fusão telefone/TV/computadores:mistura das funções:intenet)

A fusão na utilização das máquinas de comunicação como telefone, a televisão e o computador, além, é claro, da internet, nos faz pensar de forma global, inserindo esses diferentes universos num só contexto. Essas novas máquinas desenvolvidas nas últimas duas décadas da globalização permitem que possa se fazer da comunicação, cada vez mais, o que cada aparelho possibilitava em separado.“Já não há, portanto, o universo do escrito, o universo do som, o universo da imagem, tudo está misturado”.


Não é novidade mais que com o telefone podemos usufruir e realizar as funções do computador. Se comunicar com alguém pelo computador (um bom exemplo é o Skipe). Ou mesmo com um celular interagir, assistir a tv e até produzir fotos e vídeos para uma emissora e muitas outras possibilidades. Dessa forma, Ramonet fala em um outro universo da comunicação. É o universo da Internet.


Voltando às definições de esferas da comunicação, o autor faz uma conclusão: “ A internet não sabe distinguir entre texto, imagem e som, não sabe distinguir entre as três esferas das quais falamos. Na Internet existe esfera da informação, esfera da publicidade e esfera da cultura de massa. Na Internet há cada vez mais televisão, há cada vez mais informação, há cada vez mais publicidade; e não há diferença entre as três”.

A revolução digital, a Internet, trouxe um outro contexto onde devemos pensar globalmente esses três universos diferentes.

As Megafusões

(presença do esporte: espetáculos)

Foi até natural, com a “explosão” da Internet e novas tecnologias de mídias, que surgissem firmas , empresas com vocação para administrar a fusão dessas três culturas, desses três universos ou esferas de comunicação diferentes. Como exemplo da formação de Megafusões, ou Conglomerados Midiáticos, Ramonet explica: “É significativo que no ano dois mil tenhamos assistido ao surgimento de megagrupos de comunicação, com a função do grupo líder da comunicação mundial, Time Warner, com a empresa líder da Internet, America On Line; uma empresa, antiga, a Time Warner, e uma empresa recente, a America On Line”. Era o surgimento da empresa de informação claramente com papel comercial.
Assim, Ramont afirma ser necessário refletir o que esse exemplo de Megafusão significa em termos de difusão:” quantos milhares de pessoas em todo o mundo têm relação com o grupo Time, com a revista Time, com o cinema Warner, com a televisão Warner ou com o canal a cabo Warner, ou ainda com a CNN, que faz parte do grupo, e, agora, com a AOL, que é um portal de entrada da internet para centenas de milhões de usuários pelo mundo afora.”
Não é novidade que as Megafusões de empresas de comunicação ganharam fôlego a partir de uma globalização neoliberal, especialmente àquelas sediadas em países como nos EUA, Europa e Japão. E o poder midiático serve como aparato ideológico desse sistema da atual globalização e que determina ou significa a padronização de idéias, de trabalho, de costumes, de cultura e entretenimento.

No texto, é citada a criação do grupo euro-americano, ou franco-americano, o Vivendi Universal. Ramonet diz que essa fusão s assemelha ao grupo Murdoch, dono do império Warner, e não tem especialidade no campo da comunicação.” A Vivendi faz de tudo, diz. Edição musical. Edição cinematográfica, filmes; possui, é evidente, editoras, agências de publicidade, todo tipo de serviços de lazer, além de, obviamente, estar presente também no esporte”.

Aliás, o esporte interessa e é utilizado pelas grandes corporações de mídia muito mais como espetáculo e maximização de lucros. E é no futebol e seu grande retorno em audiência e todo o tipo de comércio e lucros para a mídia que Ramonet expõe seu pensamento. “Um time de futebol não tem, hoje, interesse esportivo: é muito menos uma prova esportiva que se desenrola em uma cancha do que um espetáculo que se difunde pela televisão. Um time de futebol nada tem a ver, ou tem cada dia menos, com o esporte e cada vez mais com espetáculo. Daí as importantes somas em dinheiro pagas aos atores dessas equipes, como atores deste ou daquele filme ou telenovela.”

Nesse contexto Ramont afirma que “o que temos diante de nós não é o mundo da informação apenas, mas um universo bem complexo, no qual os atores principais da globalização, as grandes empresas, desempenham além do mais um papel muito importante no campo da informação”. Para constatar essa afirmação do autor basta vermos as “megamarcas” de corporações associadas aos jogadores, times e esportistas. Isso nos remete ao mundo do poder econômico e de mercado.

(poder midiático=segundo poder -primeiro poder (econômico/financeiro)

Para o diretor do Le Monde Diplomatique, no atual estágio neoliberal de globalização, onde o fluxo de capital atingiu recordes, o poder político fica subjulgado, ou nem exista, ao que ele chama de primeiro e segundo poder. O primeiro é o econômico/ financeiro o segundo, o poder midiático. Isto porque o poder de mercado e financeiro abastece e privilegia o poder midiático que, dessa forma, se transforma no verdadeiro aparato ou sustentáculo ideológico da globalização. Esse sistema, com o “peso midiático”, se perpetua e faz com que aceitemos em nossas mentes as regras da globalização. E o que a imprensa diz a televisão repete, a rádio repete, e não apenas nos noticiários, mas também nas ficções e o resultado é a apresentação de um modelo de vida que se deve representar.

A Informação Hoje
(mercantilização da informação não é sinônimo de educação para a cidadania ou busca de verdade)(informação “gratuita”: papel da publicidade: mídia vende consumidores)(instantaneísmo x jornalismo)

“No universo da informação, especificamente, esta característica também é encontrada”. O autor caracteriza a informação hoje de três maneiras: primeiro, como uma mercadoria, onde o discurso não tem a função de educar o cidadão, mas sim o objetivo comercial e do lucro.”Compra-se e vende-se informação com o objetivo de obter lucro”; a segunda característica é a de que a informação tende a alcançar o limite da aceleração e de sensações, sem a preocupação com a qualidade; “ Passamos de um mundo do jornalismo para um mundo do imediatismo, do instantaneísmo, não há tempo para estudar a informação. Ela é feita cada vez mais de impressões, de sensações”; e, como terceira característica, a tendência da comunicação cada vez mais gratuita. Se antes a empresa vendia informação ao cidadão, hoje ela vende consumidores aos seus anunciantes .”Quem paga a informação na realidade é a publicidade. Hoje uma empresa midiática vende consumidores a seus anunciantes (Nike, Ford, General Motors) o número de consumidores que possui. Essa é a relação dominante”.


Discurso Infantilizante

(a questão dos contradiscursos) (dificuldade para atingir as massas- retórica das grandes empresas)
(contradiscurso: sedutor, não infantilizante, não dogmático)

Ramonet inicia esse tema se questionando sobre o que significa tudo que está dizendo. E responde: Significa que a luta contra tais grupos se tornou extremamente difícil. Poderíamos dizer, por exemplo, que uma atitude militante diante da pressão midiática consistiria em dar gratuitamente a informação que eles vendem, mas na realidade eles já o fazem: se difundirmos gratuitamente a nossa informação, não faremos nada além do que eles fazem; a gratuidade já não é critério de distinção”.


Ele aponta que o discurso hoje é infantilizante “ porque possui uma retórica com as mesmas características, o mesmo espaço, a mesma rapidez e o mesmo estilo de dramatização na busca do riso.É um discurso dirigido para crianças, por isso infantilizante.” Os grupos de mídia se dirigem às massas que são planetárias, enquanto nós, muitas vezes, seguimos pensando o contradiscurso de forma demasiado local ou circunstancial. Aqui também existe uma diferença entre ilustrar aqueles que já sabem e dirigir-se a um público em geral” O discurso militante ou de contra informação não é suficientemente pedagógico ou não tem os critérios de sedução que lhes permitiriam competir com o discurso dominante.


Dentro desse raciocínio, o autor conclui que a característica do discurso das grandes empresas midiáticas é a retórica. Acrescenta que ao analisar o discurso da informação ou da publicidade ou da cultura de massas ele apresenta, retoricamente as mesmas características. “Em primeiro lugar, é um discurso rápido, não há efeitos longos; na imprensa, os artigos são cada vez mais curtos, as frases são breves, os títulos impactantes, como um modelo publicitário ou qualquer discurso da cultura de massa”. Nesse momento, Ramonet apresenta as características que fundamentam seu pensamento. “Primeira característica: a rapidez para evitar o tédio. Segunda característica: a simplicidade. A terceira: utilizar constantemente algo que poderíamos chamar de elementos de espetacularização, de dramatização”. Onde se justifica o riso no discurso publicitário, a euforia ou tragédia no do noticiário. Ou seja, expressar-se através de emoções. Portanto um discurso de massa que fala às crianças e, sendo assim, o que recebemos de maneira geral é um discurso infantilizante.
Ramonet finaliza a questão do contradiscurso sinalizando que não podemos fazer contra-informação com um discurso efetivamente infantilizante. Para ele a dificuldade está em construir um discurso de contra- informação com os mesmos requintes da mídia de massa, ou seja, com sedução e que não se dirija a uma pequena minoria, mas que possa dirigir-se também às massas, sem ser,” definitivamente um discurso doutrinário, dogmático, um discurso de pura retórica, artificial.”
O autor tenta esclarecer um pouco mais a definição do que ele chama de contradiscurso ao mencionar que a globalização também deixou o nível dos meios cada vez mais vulgar, mais medíocre, mais insatisfatório e, ao mesmo tempo, a própria globalização elevou o número ou o nível de pessoas educadas, pessoas que fizeram estudos secundários, que fizeram estudos superiores, sendo que em nenhum momento da história houve um nível educacional como o atual. O que ele chama de contradição social: aumento da educação e da vulgaridade na mídia. E explica: “ Portanto, enquanto o nível educacional sobe, o nível midiático desce. Chega um momento em que eles se cruzam e aparecem em nossas sociedades cada vez mais categorias sociais que se sentem insatisfeitas com este discurso infantilizante e que exigem ser tratadas como adultas, capazes de conhecer a verdade, capazes de distinguir e de tomar posição em função da verdade, seja qual for essa verdade”. Ele acredita que é possível a sociedade ser capaz de usar o poder de seletividade e da crítica. Ramonet fala em demanda pela verdade. E para isso acredita na evolução e crescimento de veículos alternativos.

Queremos a Verdade

(demanda pela verdade- veículos alternativos: crescimento Fórum Social- necessidade de saber comunicar a verdade)

"Não queremos um conto de fadas, queremos a verdade e diante da verdade, como cidadãos, estamos dispostos a assumir posições. Que não nos contem um conto de fadas como a Guerra do Golfo, da Guerra de Kosovo, sobre o Plano Colômbia.”


O autor sugere que é possível nos dar conta de que os meios (evidentemente os pequenos) que fornecem informação séria , não ideológica, dados, fatos concretos, com referências, estes meios, “ por mais diferentes que sejam estão conquistando cada vez mais audiência.
 Fórum Social Pará - Brasil, 29 de maio de 2008

Como referência, Ramonet explica que o periódico que dirige, apesar de ser feito por poucas pessoas e com políticas de respeito ao cidadão e qualidade de conteúdo veio, aos poucos, conseguindo que o número de leitores se e multiplicasse e hoje conta com 15 edições em várias línguas. Diz o autor: “ É um pequeno e modesto exemplo diante de um grupo como a Time Warner, mas este exemplo modesto indica que há uma demanda, hoje em escala internacional. Poderíamos citar outros grupos ou outros meios, tanto no suporte impresso como no suporte rádio ou no suporte Internet, que estão fazendo uma informação que é, sensivelmente, aquela que permitiu o Fórum Social Mundial acontecesse, e que acontecesse com êxito que conhecemos. Segundo Ramonet, até foi possível, no plano midiático uma verdadeira queda-de-braço com Davos, onde se reúnem o que ele chama de patrões do mundo.

Comunicação dominante ou comunicação alternativa têm em comum, para Ramonet, é o fato de que são comunicação e de que não é possível comunicar-se bem de qualquer maneira. “E aí está o problema”, diz ele. Comunicar bem faz falta uma série de técnicas. Não basta possuir a verdade.”Alguém pode ter a verdade e definitivamente não encontrar eco porque não sabe comunicar essa verdade. A verdade nunca se impõe por si só e quem a possui deve saber como veiculá-la, caso contrário ela se torna arrogante e depreciativa com respeito à cidadania.

A Publicidade
(contaminação comercial (ideologia) da informação/espaços públicos- defesa da ecologia da informação)

Ramonet compara o discurso sobre a propaganda política em um estado autoritário, como no livro 1984, de Orwell, ao discurso que vivemos hoje: o discurso comercial. Para ele o discurso comercial é uma ideologia como outras, pode-se defendê-la ou não. “É um discurso puramente ideológico que trata de vender um modelo de vida que é um modelo de vida claramente ideológico.O intolerável é que nossa liberdade de cidadãos se veja constantemente limitada por esta agressão publicitária que sofremos quando estamos em contato com qualquer meio de comunicação ou simplesmente quando circulamos pela cidade, onde resta cada vez menos espaço público”.


No último parágrafo do texto, o autor diz ser necessário desenvolver uma defesa da ecologia da informação. Faz uma analogia entre o meio ambiente que está contaminado pelo uso de metais pesados decorrente de uma hiperindustrialização globalizada que produziu o desastre ambiental, com a contaminação da informação. “A informação está contaminada essencialmente por uma série de mentiras que podem ser factualmente demonstradas. É preciso descontaminá-la dessas mentiras, é preciso descontaminá-la de uma certa ideologia”. Todas as idéias podem ser defendidas, anunciadas, porém, como idéias e não como uma coisa natural. . A publicidade só atende interesses do consumismo, da utopia, da globalização Para Ramonet, mais importante ainda é a descontaminação de publicidade, como ideologia, no mundo que vivemos. ”E isso é óbvio”.

Por:
Luiz Galvão (02/2009)- Disciplina: Comunicação de Massa e Globalização na Cultura
                                                           Contemporânea.

RAMONET, Ignácio. O poder midiático in MORAES, Denis (org.): Por uma outra comunicação. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Record, 2003.

Ignacio Ramonet Míguez (Redondela, 5 de maio de 1943) é um jornalista e sociólogo galego. Ramonet cresceu em Tânger. Estudou engenharia em Bordéus, Rabat e Paris.
Ex-aluno de Roland Barthes, é doutor em Semiologia pela École des hautes études en sciences sociales de Paris. Professor de Teoria da Comunicação da Universidade Denis Diderot (Paris VII) e professor associado das Universidades de São Petersburgo e Carlos III, em Madri, lecionou também nas universidades de Buenos Aires, Valência, Cuba, Porto Rico, Santo Domingo. É doutor honoris causa da Universidade de Santiago de Compostela, na Galiza, Espanha.
Escreveu vários livros sobre geopolítica e crítica da comunicação mundial, nos quais relaciona os meio de comunicação com o projeto estratégico da globalização. Defende a inclusão da sociedade civil nos processos de construção de um outro mundo.
Trabalha na França desde 1972 e desde 1991 é diretor do periódico Le Monde Diplomatique. Dirige também a revista temática bimestral Manière de voir, de vocação pedagógica, voltada a estudantes de nível médio e universitários. Também colabora com o jornal espanhol El País e é consultor da Telesur, rede de televisão pan-latino-americana criada em 2005 na Venezuela, com o propósito de se contrapor à hegemonia das grandes redes privadas de TV, tais como CNN e Univisión.
Em dezembro 1997 o editorial de Ramonet no Monde Diplomatique deu origem à organização altermundista ATTAC. Ramonet também esteve entre os promotores do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, para o qual propôs o slogan Um outro mundo é possível.
Foi um dos fundadores da ONG Media Watch Global, que atualmente preside, e da sua versão francesa (Observatoire français des médias).
Faz parte do comitê de patronos da coordenação francesa da Década da cultura de paz e não-violência, promovida pela ONU.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

cpfl cultura e Fonteiras do Pensamento entrevistam Zygmunt Bauman e você sugere os assuntos » cpfl cultura

cpfl cultura e Fonteiras do Pensamento entrevistam Zygmunt Bauman e você sugere os assuntos » cpfl cultura
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor de dezenas de livros (entre eles, Modernidade Líquida) e forte influência para grandes pensadores contemporâneos, concederá uma entrevista exclusiva à equipe da cpfl cultura em julho. Você poderá contribuir fazendo sugestões aqui, na caixa de comentários, sobre quais assuntos poderíamos tratar com ele.

As sugestões poderão ser feitas até o dia 20 de julho; no dia 22 as equipes da cpfl cultura e do programa Fronteiras do Pensamento estarão na Inglaterra para a entrevista com o autor. O vídeo, mais tarde, poderá ser transmitido como um café filosófico cpfl especial na TV Cultura, e trechos estarão disponíveis aqui no site.
Bauman foi convidado a participar da edição de 2011 do programa Fronteiras do Pensamento, mas imprevistos impediram sua vinda ao Brasil. A entrevista para a qual você poderá contribuir será uma rara oportunidade de interagir com um dos principais pensadores do mundo contemporâneo


MODERNIDADE LÍQUIDA. VELOZ. LEVE. VORAZ.. VIVER E VOAR COMO A BORBOLETA.
quinta-feira, 31 de julho de 2008


"Voar suavemente traz contentamento. Voar sem direção provoca estresse.", (Zygmunt Bauman)


Como enfatisar esse momento da vida para se esquecer da morte?
A vida se empurra com a barriga? Ou em holografias, com ou sem consciência?
O tempo não nos dá conta do tempo que procuramos para viver.
Onde encontrar sabedoria nessa modernidade para viver o tempo livre? Como voar suavemente sem a velocidade peculiar de nosso tempo?
O stress está sempre nos rondando a mente, após a praia num findi ou uma noite de amor.
Ver , ver e ver. Inundações de imagens, sufoco de ilustrações, espetáculos.
O que nos diz ou toca nossos sentidos esse mundo que passa diante de nós, em todos os lugares, instantâneo?
E o medo do vazio?
Tempo veloz, fluído.
Intangível e voraz.
Vivemos uma geração que se amolda ou é mutante.
Fazer, fazer, fazer, mais.
Será a velocidade um Deus?
Mundo da modernidade, como os líquidos, vamos nos caracterizando por uma incapacidade de manter a forma.
Zygmunt e o medo líquido, uma metáfora para compreender nosso mundo...Uma sociedade cada vez mais imediatista , o valor está onde não se toca. Onde encontrar a liberdade?
Entre o ontem e o hoje, líquido é algo que se adapta a forma de uma vasilha, do copo. Fluidez é o nosso tempo, ou leveza, leve.
Nada mais sólido, pesado rígido.Ford.
Hoje Bills Gates.
A leveza do dinheiro e não das tradições, territórios , ostentações.
Valores e a temperatura ambiente mudam a todo momento. E ao mesmo tempo.
Hoje o poder é leve e se esconde, não se sabe de onde vem, quem é, onde ele está.
É o dono da marca, fluída.
“A comunicação não é mais pós moderna, mas líquida e nela conceitos e interesses se amoldam ao sabor das ondas aos altos e baixos e às discrepâncias das profundezas para exibir uma superfície plana, que cobre extensivamente todo o planeta com seu abraço afago”.(Zygmunt Bauman). O Poder do Mercado.
O quê a Mídia nos esconde? Nos mostra?
È nebulosa e ativa, presente e invisível, predominante e ambígua.
Onipresente, onisciente ou onipotente? Sempre complexa.
Consumo líquidos velozes e virtuais. Compulsivamente. Desejo a MARCA, já que ela "é mais que o produto". Serei doentio? Me escondo de um possível vazio?
Ritmo acelerado, tempo se torna escasso. Quero meu espaço.
Como viver nessa dicotomia entre o ócio saudável e a frenesi da produtividade que me é exigida ?
Instituições, referências estilos de vida mudam antes que tenham tempo de se solidificarem; costumes, hábitos e verdade 'auto-evidentes' .
Como voar como a leveza da borboleta na nossa mente e espírito sem o stress coagulado da modernidade no coração ?

Luiz Galvão

domingo, 12 de junho de 2011

Realidade Aumentada no ARE2011

Essa nova tecnologia vai começar a esticar o pescoço para fora dos laboratórios em alguns poucos anos e nós, como estudantes de comunicação, temos a obrigação de entendê-la bem.






 
@renatogenial




quarta-feira, 11 de maio de 2011

Projeto 2014K - A copa de 2014 ao vivo em 3D

Diólia Graziano 
cientista social aplicada

Fiquei encantada com a proposta do Projeto 2014K - A copa de 2014 ao vivo em 3D. Contudo vale ressaltar que ele possui uma infraestrutura particular, do projeto, não sendo comercialmente possível. O Brasil não tem infraestrutura que suporte o transito de tantos dados. Se o fluxo de vídeo na rede de Internet é o que ocupa mais espaço no espectro, mesmo sendo qualidade Youtube, imaginem sendo em altíssima definição e em 3D. Travaria a rede!


O PNBL-Plano Nacional de Banda Larga, até onde sabemos, contempla uma Internet com velocidade nominal de 512Kbps. Para baixar e assistir a um vídeo de 20 Mega com esta velocidade de conexão são necessários 10 minutos. Na maioria da Finlândia - onde as pessoas possuem conexão de 40 Mega - o mesmo vídeo é baixado em 4 segundos.


Banda Larga, de acordo com o presidente do Comitê Gestor da Internet é "modo de dizer". Embora fiquemos conectados à rede o mesmo tempo que os norteamericanos, dados da ComScore indicam que 84% da população com mais de 15 anos que assistiu a pelo menos um vídeo no mês na Internet, equivale ao mesmo número nos Estados Unidos. Contudo, quando se analisa o número de vídeos assistidos, os resultados se tornam diferentes. Nos Estados Unidos foram assistidos 34 bilhões de vídeos enquanto no Brasil, 2.9 bilhões; na Alemanha, 8.3. Tal dado mostra que existe espaço para crescimento e também o baixo nível da Internet brasileira, recaindo novamente no problema da falta de boa infraestrutura.Então comemorar o fato do brasileiro "navegar" muito na Internet, é uma faca de dois gumes: fica muito tempo na Internet também por que ela é lenta.


Deliciem-se com o vídeo abaixo, encantem-se como eu. Tenham orgulho de nossos pesquisadores, tendo em mente que para termos essa experiência em casa, ainda é um árduo processo de reconhecimento da importância crescente da Internet em nossas vidas e que valeria a pena repensar o PNBL como prioridade nacional, com intenso investimento em infraestrutura para prover uma Banda de Internet que seja Larga de fato, para que não se torne obsoleta e incipiente rapidamente. Isto é: ela já nasce conceitualmente carente. Da forma como está concebida, tal Internet permitirá acesso nacional ao Orkut, MSN (exemplos de sites populares), mas não permitirá a apropriação de conteúdos audiovisuais, sua remixagem, criação artística, e manifestação da expressão sociocultural brasileira na rede.


Uma vez que tratamentos médicos (hoje já é possível realizar exame oftalmológico com o uso de um aparelho celular!), educação via videoconferência e outros tantos recursos disponíveis de forma exponencial - melhorando a qualidade de vida da sociedade em todos os seus aspectos - reduzindo a necessidade de locomoção, alterando as relações de trabalho, criando novas oportunidades de renda, etc - planejar de forma lenta o fornecimento de uma conexão de 512Kbps, me parece pífio. Nem Finlândia nem Banda Larga "modo de dizer": precisamos fornecer à nossa população um meio termo, decente.






















segunda-feira, 11 de abril de 2011

A POSSIBILIDADE DE UM NOVO UNIVERSO JORNALÍSTICO NA COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA- UMA ANÁLISE DO PORTAL ÍNDIOS ONLINE

Monografia apresentada à Faculdade .Cásper Líbero para aprovação no Curso de Pós Graduação em Comunicação Jornalística sob a orientação do Prof. Claudio N. Coelho (06/2010)


Resumo


Será abordado neste estudo um canal que propõe utilizar a internet como veículo de comunicação e informação para os povos indígenas. Trata-se do portal Índios Online, uma rede com vinte e três etnias em onze estados do Brasil que iniciou suas atividades em 2005. A principal questão a ser debatida pelo trabalho é se este portal pode ser considerado uma forma de comunicação alternativa à grande mídia monopolista. Temos, portanto, como objetivo analisar quais as ferramentas utilizadas pelos índios na promoção de diálogo intercultural através do Canal Índios Online. Há uma preocupação em investigar como se dá a possibilidade de uma comunicação interativa. Optou-se para a pesquisa de natureza bibliográfica e documental. O referencial teórico é composto por autores que pensam a comunicação dentro da globalização, e que refletem sobre as possibilidades abertas pela comunicação virtual em rede, como Milton Santos, Ignácio Ramonet e Pierre Lévy. Considerou-se fundamental a utilização destas abordagens, pois envolve o objetivo de estudo como parte de um cenário atual que impõe a busca de entendimento.

Palavras-chave: Globalização. Cibercultura. Jornalismo. Internet.


Introdução



A ampliação das mídias, a possibilidade de interação e participação através da internet corresponde um elemento obrigatório nos dias atuais. A diversidade, mistura de cultura ao mesmo tempo em que destaca as diferenças étnicas e culturais de cada povo, provoca a falta de homogeneidade. Nesse caso o avanço da globalização poderia reduzir essa problemática e realizar um intercâmbio entre os grupos.


O fato é que com isso a grande mídia passa a criar a cultura do desnecessário, o consumismo excessivo que traz consigo a troca do ser pelo ter, ou seja, o consumo como forma de autovalorização existencial. O fetiche da mercadoria passa a ser muito mais intenso e as relações sócio-afetivas bem mais superficiais, desse modo, está instalado o quadro de caos social, que mistura desemprego, desassistência social, consumismo acentuado, alienação e crimes.


Será abordado neste estudo um canal que propõe utilizar a internet como veículo de comunicação e informação para os povos indígenas. Trata-se do portal Índios Online, uma rede com vinte e três etnias em onze estados do Brasil que iniciou suas atividades em 2005. A troca de comunicação é favorecida entre sete nações indígenas: kiriri, Tupinambá, Pataxó-hãhãhãe, Tumbalalá na Bahia, Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó em Alagoas e os Pankararu em Pernambuco.


Por um lado essa monografia visa valorizar a entrada do povo indígena na internet. A voz é dada. Porém essa interação pode influenciar a perda da cultura e identidade do índio. De fato o processo de globalização não pode ser evitado, já está inserido no contexto sócio-econômico-cultural onde a informação é a protagonista dessa história.


Temos, portanto, como objetivo analisar quais as ferramentas utilizadas pelos índios na promoção de diálogo intercultural através do Canal Índios Online. Com isso indaga-se: Até que ponto o processo da globalização pode influenciar na promoção de um novo universo jornalístico na comunicação alternativa?


A internet é um meio midiático que favorece as novas formas de sociabilidade e participação social. Passou a ser um instrumento de distribuição de informações e preocupações, o que antes não tinha espaço para ser exposto.


Se o objetivo seria reduzir as diferenças, ampliar o conhecimento, encurtar distâncias, estes fatores não poderiam vir juntos a influência de uma cultura global que impõem limites para a autonomia da pessoa vinculada a sua cultura de origem, dificultando a existência de relações necessárias para o exercício da solidariedade social e da liberdade.


Embora o espírito capitalista de homogeneização sociocultural tenha predominado, não conseguiu eliminar as diferenças, e a utopia igualitária não burlou seu objetivo final, que na verdade, significava uma imposição cultural. (CITTADINO, 2000).


É importante entender qual a verdadeira intenção dessa ampliação e abertura de espaço para as informações. Unificar culturas? Certamente, mas a cultura principal seria centralizada, induzindo, portanto, aos demais o deslocamento de território e a cultura excessiva de consumo.


O trabalho tem como objetivo proporcionar uma reflexão sobre a possibilidade de um novo universo jornalístico na comunicação alternativa. Busca-se estudar uma inovação midiática através do projeto Índios Online.


Optou-se para a pesquisa de natureza bibliográfica e documental. Considerou-se fundamental a utilização destas abordagens, pois envolve o objetivo de estudo como parte de um cenário atual que impõe a busca de entendimento.


Para a analise do portal índios online foi realizada inicialmente um conhecimento das páginas do portal, sua interface e componentes. Em seguida tentou-se estabelecer contato com os índios através do chat do portal. Como foi relatado no decorrer deste trabalho houve recuo por parte dos índios e fuga nas respostas.


Para um maior aprofundamento procurou-se por artigos e trabalhos externos realizados pelos índios que fazem parte do projeto. Na tentativa e conseguir maiores informações houve outras buscas de diálogos no chat e Google Talk. Encontrou-se dificuldades também em estabelecer contato via Skype com alguns dos gestores do site


Por fim emails foram enviados aos gestores do portal e alguns foram respondidos que mesmo vagamente foram e grande importância para a construção desse trabalho e entendimento do que o portal índios online se propõe.


A base desta monografia foi composta por vários autores que merecem aqui ser citados: Manuel Castells com suas obras “A sociedade em rede” e “A galáxia internet” que trouxe reflexões sobre a internet e sua influência na sociedade; Pierre Lévy com cibercultura; Ignácio Ramonet em “A tirania da comunicação” constituindo um dos principais componentes desse estudo ao abordar de forma critica e realista o jornalismo dos tempos atuais e os conglomerados midiáticos; Por fim Milton Santos, este que correspondeu a toda estrutura deste trabalho, que sem sua participação certamente esta produção não seria completa


Sumário


Introdução 7

1. Mídia, globalização e comunicação 9

1.1 O papel da mídia no fenômeno da globalização 9

1.2 Os conglomerados midiáticos 11

2 O Jornalismo globalizado e suas novas possibilidades 16

2.1 Ética e jornalismo 16

2.2 Cultura midiática e o jornalismo espetacular 18

2.3 A crise no jornalismo 20

2.4 As possibilidades de um novo jornalismo através da internet 23

2.5 E a internet como surgiu? 25

3. O Projeto Índios Online 29

3.1 O Portal 29

3.2 Índios online, quem são? 43

3.2.1 As ferramentas utilizadas pelos índios na promoção de diálogo intercultural através do Canal Índios Online 44

3.3 Os índios no ciberespaço – Um meio alternativo de comunicação 46

Considerações finais 49

Referências bibliográficas 52

Anexos 55



sábado, 19 de março de 2011

Processos Midiáticos: Tecnologia e Mercado: Evolution of the Internet Governance

Evolution of the Internet Governance




Diólia Graziano

Conheça o blog da nova Gradiente.

 Por Alex Primo
Foi com muita alegria que recebi o convite para participar como colaborador do blog da Nova Gradiente. Pois essa que foi uma das marcas de tecnologia mais importantes no país está voltando ao mercado.
Eu tenho muitas lembranças boas ligadas à Gradiente. A melhor delas é tema de meu primeiro post naquele blog. Lá eu revelo que já fui DJ e pilotava um invejado toca discos Gradiente D-20. E, como não poderia ser diferente, não me contive e escrevi também uma crítica à atual cultura de DJs e como as subcelebridades transitam por aí.
O Blog da Gradiente não vai tratar apenas de seus novos produtos. Como você vai perceber, trata-se de um blog de tecnologia e cultura geek. Não deixe de assinar o RSS e conhecer todos os colaboradores, autores de outros blogs relevantes na blogosfera brasileira.
Agora, uma publicação imperdível é a Videoteca Histórica publicada pela Gradiente em seu perfil no Facebook. A partir de uma boa pesquisa, foi construída uma linha do tempo multimídia com os fatos mais importantes de 1989 a 2006 e comerciais dos lançamentos tecnológicos de cada ano.
Além de fatos curiosos, da galeria de imagens que vai dar nostalgia em muitos geeks, é possível também observar como a linguagem publicitária foi se transformando nas últimas décadas.

domingo, 2 de janeiro de 2011

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Facasper - 4ª Conferência Brasileira de Comunicação e Tecnologias Digitais.

O Grupo de Pesquisa Tecnologia, Comunicação e Cultura de Rede (Teccred) da Faculdade Cásper Líbero, em parceria com o Grupo de Pesquisa em Tecnologias Digitais (Comtec/Metodista), promoverá a 4ª Conferência Brasileira de Comunicação e Tecnologias Digitais, cujo tema será “Eleições 2010: Comunicação, tecnologia e mídia social”. O evento acontecerá na Faculdade Cásper Líbero, no dia 30 de novembro, das 9h às 17h.
Clique aqui e confira a programação completa.

Para se inscrever envie seu nome e telefone para eventos @casperlibero.edu.br , e aguarde o e-mail confirmando sua participação

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

As startups de Balzac e o fim da era “cada um no seu quadrado”

TECNOLOGIA E COMUNICAÇÃO

No papel, todas as palavras bem articuladas fazem sentido. Tecnologia e Comunicação formam um binômio quase imbatível nessa máxima quando colocadas lado a lado em um texto. Chamam a atenção.
Entretanto, dentro de uma empresa, no seu cotidiano de desafios, esses assuntos são tratados e trabalhados como se fossem água e óleo, ou seja, elementos que não se misturam.
São culturas que pensam que são diferentes. Uma oriunda das ciências ditas “ mais duras” e outra das Ciências Sociais Aplicadas. Entretanto, o físico e novelista inglês, Charles Percy Snow, em 1959 no seu livro seminal “The Two Cultures”, demonstrou que essa divisão é prejudicial à construção do conhecimento e não existem razões estruturantes para existir.
Se verificarmos o desenvolvimento das Tecnologias de Informação, indo até as suas raízes, encontraremos nomes como do alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz (1646 – 1716), considerado o “o pai da TI”. Filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário, Leibniz tinha habilidades nas áreas da metafísica, literatura, política, lógica, história entre outras.
Balzac, o hacker journalist


Com relação mais estreita com a comunicação, a brilhante trajetória literária e intelectual do pensador francês Honoré de Balzac (1799-1850), possui um lado que poucos conhecem.
Autor do célebre livro “Ilusões Perdidas”, que especialistas sobre o autor afirmam ser autobiográfico, Balzac narra a história do poeta Lucien de Rubempré, que faz carreira como jornalista em Paris, obtendo rápido sucesso e, também com velocidade, cai em desgraça devido ao jogo da imprensa da época.


Porém, o que pouco se diz é que Balzac era proprietário de uma editora e nela também exercia o ofício de tipógrafo. Ou seja, se fosse nos dias atuais, talvez Balzac teria uma start-up e seria um hacker journalist, devido ao seu entendimento e cruzamento técnico sobre as duas áreas do conhecimento humano.
Mas, quando pensamos na dificuldade de encontrar profissionais que cruzem essas áreas com competência e sabedoria, John Brockman lança 1995 o livro “The third culture”. Nele, Brockman sobe nos ombros de C.P. Snow e coloca mais uma camada da multidisplinariedade: as ciências biológicas. Hoje, vemos estudos e pesquisas na área da neurociência computacional, máquinas semióticas, web semântica etc.

Laboratório de mídia


Em algumas conversas com editores da mídia digital brasileira, enfatizo a necessidade de essas empresas investirem em laboratórios que integrem esses tipos de conhecimento e que dali possam surgir soluções inteligentes em sintonia com a necessidade informativa da sociedade conectada, que, de um modo ou de outro, já experimenta os resultados desses avanços desde Leibniz.
Mas a resposta é quase a mesma: falta de cultura dos empresários para entenderem que um laboratório desses é importante para possuir e construir o diferencial competitivo.
Vejamos o New York Times, que investe tanto em tecnologia nos seus produtos digitais conectados. O temor da “Bíblia do Jornalismo” não são os seus tradicionais concorrentes no mundo analógico que também migraram para a esfera digital, mas os milhares exemplos de startups que surgem nos EUA e que vão comendo fatias pequeninas do seu escopo de negócio.
Para fazer frente a esse tipo de ameaça, o NY Times formou equipes multidisciplinares que lhe garantem a permanência no jogo da nova economia digital.
Com uma estratégia mais agressiva, pois já nasceu nesse universo, o Google busca dentro das universidades esse tipo de perfil multidisciplinar. Como brinco, de um dia para ou outro, pesquisadores são “abduzidos” e começam a trabalhar na grande nave-mãe dos sistemas de relevância da informação.


Áreas relacionadas


Portanto, os “labels” Tecnologia e Comunicação são mais que quadradinhos de conhecimento. Eles fazem parte da realidade de forma estruturalmente relacionada.
Vistos assim e trabalhados sinergicamente dentro das empresas, elas conseguirão obter melhores resultados nos sistemas estruturados por TI e que necessitam de plataformas e conteúdo adequados ao seu público consumidor ou colaboradores.

IDGNOW

Waltet T. Lima
Pós-doutor Tecnologia e Comunicação. Docente do Programa de Pós-graduação da Cásper Líbero. Membro titular do Núcleo de Ciência Cognitiva da USP. Um dos pioneiros em conteúdo jornalístico na Web brasileira.